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Defensoria diz que 87 pessoas seguem desaparecidas após protestos na Colômbia

05/05/2021 00h42

Bogotá, 4 mai (EFE).- Pelo menos 89 pessoas desapareceram durante os protestos sociais contra um projeto de reforma tributária do governo da Colômbia, de acordo com denúncias recebidas pela Defensoria do Povo, que informou nesta terça-feira que até o momento duas delas foram encontradas.

As manifestações começaram na última quarta-feira e deixaram pelo menos 19 mortos e cerca de 800 feridos, razão pela qual a Colômbia está na mira de organizações internacionais pelas recorrentes violações de direitos humanos e abusos por parte das forças de segurança.

"A Defensoria do Povo registrou algumas denúncias correspondentes aos supostos desaparecimentos durante o protesto social convocado em 28 de abril e repassou esta informação à Comissão de Busca por Desaparecidos", informou a entidade.

Da mesma forma, compartilhou a lista completa das 87 pessoas, que segundo as denúncias, ainda estão desaparecidas.

Pelo menos 35 deles desapareceram em Cali, capital do departamento de Valle del Cauca, epicentro dos protestos, e na vizinha Palmira, região do sudoeste onde também foi registrado o maior número de mortes durante os protestos.

Há também pessoas desaparecidas em Bogotá, Barranquilla e Medellín, e no departamento de Quindío, localizado na zona cafeeira do centro do país.

As manifestações continuarão amanhã, de acordo com a convocação da Comissão Nacional de Greve, que mesmo com o anúncio do presidente Iván Duque de que o projeto seria retirado, disse que "o povo, nas ruas, está exigindo muito mais do que a retirada da reforma tributária".

MINISTÉRIO DA DEFESA NÃO INFORME SOBRE MORTES

Embora a Defensoria do Povo tenha confirmado a morte de 19 pessoas durante as manifestações - 18 civis e um policial - o Ministério da Defesa tem evitado relatar os óbitos relacionados aos protestos.

O ministro Diego Molano limitou-se a informar durante entrevista coletiva sobre os detidos, danos à propriedade pública e privada e os ataques às forças de segurança, culpando os grupos armados ilegais de instigar as mobilizações, mas sem mencionar as mortes.

Molano disse hoje que "houve ataques a membros da força de segurança, delegacias, veículos, bloqueios e outros atos violentos que afetam municípios do país".

Ele acrescentou que o ataque à força de segurança resultou em "579 policiais feridos, 464 policiais uniformizados com hematomas, 93 foram feridos com arma cortante, três com arma de fogo e 15 por artefatos explosivos ou ação incendiária, dos quais 25 permanecem hospitalizados".

No entanto, no país há uma reclamação geral contra o ministro devido às graves denúncias sobre os policiais que foram flagrados atirando à queima-roupa contra os manifestantes.

A polícia é alvo de graves acusações, incluindo agressões sexuais, violência física e detenções arbitrárias, e também tem sido apontada como responsável pela morte de muitos manifestantes, principalmente jovens.

A Campanha Defesa da Liberdade é Assunto de Todos, que reúne várias organizações de defesa dos direitos humanos, denunciou hoje que 305 pessoas foram feridas "pelas ações desproporcionais do Esquadrão de Motim Móvel (Esmad)".

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