PUBLICIDADE
Topo
Notícias

Notícias

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Para militares, Pazuello recorre a "ação retardadora" para se livrar da CPI

Carla Araújo

Jornalista formada em 2003 pela FIAM, com pós-graduação na Fundação Cásper Líbero e MBA em finanças, começou a carreira repórter de agronegócio e colaborou com revistas segmentadas. Na Agência Estado/Broadcast foi repórter de tempo real por dez anos em São Paulo e também em Brasília, desde 2015. Foi pelo grupo Estado que cobriu o impeachment da presidente Dilma Rousseff. No Valor Econômico, acompanhou como setorista do Palácio do Planalto o fim do governo Michel Temer e a chegada de Jair Bolsonaro à Presidência.

do UOL

Do UOL, em Brasília

04/05/2021 16h35

O ex-ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, já irritou bastante os militares da ativa durante sua gestão na pasta.

Agora, ocupando um cargo na Secretaria Geral do Exército, Pazuello de certa forma "obrigou" com que a Força se pronunciasse para justificar a sua negativa de comparecer ao seu depoimento de forma presencial na CPI, que estava marcado para amanhã e foi transferido para o dia 19.

Militares da ativa e da reserva ouvidos pela coluna, em condição de anonimato, criticaram a decisão do ex-ministro e a classificaram com um jargão militar: chama-se ação retardadora.

Resumidamente, postergar seu depoimento, na visão dos militares é para que ele ganhe tempo.

"No Exército se chama ação retardadora. Um tipo de operação militar em que você vai retardando o avanço do inimigo, retardando até que a nossa tropa fique mais forte, mais preparada", explicou um coronel.

Um general da reserva usou palavras semelhantes para descrever a estratégia: "A ação retardadora ocorre quando estou em desvantagem e troco espaço por tempo, aguardando reforços amigos".

Pazuello pede ao Exército que seu depoimento à CPI seja adiado - reprodução - reprodução
Pazuello pede ao Exército que seu depoimento à CPI seja adiado
Imagem: reprodução

Posição oficial

O Exército justificou o fato de ter tido que enviar o documento à CPI pedindo a mudança da data do depoimento pelo fato de que "o general de Divisão Eduardo Pazuello encontra-se na situação de Adido à Secretaria Geral do Exército (SGEx)" e que "os "documentos relacionados à participação do referido oficial general junto à CPI tramitam ordinariamente por intermédio da SGEx".

Questionado pela coluna sobre a situação dos coronéis com covid que Pazuello alegou ter tido contato para postergar o seu depoimento, o Centro de Comunicação Social do Exército afirmou que "o General Pazuello comunicou ao Exército Brasileiro que tomou conhecimento ontem, 3 de maio, que teve contato com dois servidores do poder público federal que apresentaram resultado positivo em exame para COVID-19".

Conforme mostrou a coluna, um dos coronéis é o atual assessor da Casa Civil, coronel Élcio Franco, que trabalhou com Pazuello no Ministério da Saúde. Élcio é um dos escalados pelo presidente Jair Bolsonaro para preparar o ministro para a CPI.

Ofício do Exército enviado à CPI com pedido de adiamento de depoimento de Pazuello - Reprodução - Reprodução
Ofício do Exército enviado à CPI com pedido de adiamento de depoimento de Pazuello
Imagem: Reprodução

Notícias