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Mandetta critica Paulo Guedes e 'incentiva' convocação à CPI

04/05/2021 20h30

SÃO PAULO, 4 MAI (ANSA) - Depois de quase seis horas de depoimento, o ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta disse à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid que o ministro da Economia, Paulo Guedes, é "desonesto intelectualmente" e "muito pequeno para estar onde está".   


"Esse ministro [Paulo Guedes], era desonesto intelectualmente, uma coisa pequena, um homem pequeno para estar onde está", afirmou Mandetta, ao responder questionamento feito pela senadora Eliziane Gama (Cidadania-MA) sobre uma acusação de Guedes, segundo a qual ele deixou de comprar vacinas enquanto ainda estava no ministério.   


Segundo o ex-ministro, Guedes "nem soube olhar o calendário para falar: 'puxa, enquanto ele estava lá [na pasta da Saúde], nem vacina sendo comercializada no mundo havia'", argumentou.   


Mandetta também voltou a falar que Guedes nunca o procurou para saber do quadro da pandemia no Brasil com o intuito de planejar ações que ajudassem a economia do Brasil diante do quadro.   


Além disso, ressaltou que havia um distanciamento da equipe econômica e deu a entender que o político pode ter sido um dos auxiliares que influenciou o presidente Jair Bolsonaro a priorizar a economia em vez de cuidar da área da saúde.   


"O [ministro] da Economia não ajudou nada. Pelo contrário, falava assim: 'já mandei o dinheiro, agora se virem lá e vamos tocar a economia'. Talvez [ele] tenha sido uma das vozes que tenha influenciado o presidente. Longevidade versus saúde do Tesouro. Eu peço desculpas aos idosos do Brasil por estarem incomodando o ministro da Economia", alfinetou.   


Mandetta lembrou que "o distanciamento da equipe econômica era real, não posso negar". "Recados ao ministro não eram respondidos. Havia uma visão menor sobre a gravidade [da crise].   


No início da pandemia, o ministro estimativa que a economia do Brasil cresceria 2%".   


Diante das declarações, o vice-presidente da CPI, senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), afirmou ser "inevitável" que Guedes preste esclarecimentos. De acordo com ele, o requerimento que formaliza a ida do ministro à comissão pode ser aprovado na sessão desta quarta-feira (5).   


"Esse requerimento do senador Randolfe contará com o meu voto.   


Sou apenas um redator, um sistematizador. Mas, nesse caso, eu posso votar em apoio e solidariedade ao senador Randolfe", disse Renan Calheiros, relator da CPI.   


Amanhã também está previsto para o ex-ministro da Saúde Nelson Teich ser ouvido a partir das 10h (horário de Brasília). Ele prestaria depoimento nesta terça-feira, mas sua participação teve de ser adiada devido ao grande número de perguntas dirigidas Mandetta. (ANSA)
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