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REPORTAGEM

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Lira usa reforma tributária para contrapor protagonismo do Senado com CPI

8.fev.2021 - O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (Progressistas-AL), após reunião com o o ministro da Economia, Paulo Guedes - Wallace Martins/Futura Press/Estadão Conteúdo
8.fev.2021 - O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (Progressistas-AL), após reunião com o o ministro da Economia, Paulo Guedes Imagem: Wallace Martins/Futura Press/Estadão Conteúdo
Carla Araújo

Jornalista formada em 2003 pela FIAM, com pós-graduação na Fundação Cásper Líbero e MBA em finanças, começou a carreira repórter de agronegócio e colaborou com revistas segmentadas. Na Agência Estado/Broadcast foi repórter de tempo real por dez anos em São Paulo e também em Brasília, desde 2015. Foi pelo grupo Estado que cobriu o impeachment da presidente Dilma Rousseff. No Valor Econômico, acompanhou como setorista do Palácio do Planalto o fim do governo Michel Temer e a chegada de Jair Bolsonaro à Presidência.

do UOL

Do UOL, em Brasília

04/05/2021 09h12

Em um momento de "paz" com o presidente Jair Bolsonaro e vendo o Senado conquistar protagonismo com a CPI da Pandemia, o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL)), decidiu tentar acelerar a agenda da reforma tributária com um propósito pessoal: não deixar com que o peso da sua cadeira seja deixado de lado.

A avaliação foi feita à coluna por fontes do governo e do Congresso.

Com um dia de atraso do que havia sido prometido por Lira, o relator da reforma, deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), vai apresentar o texto hoje à tarde.

Apesar disso, até mesmo ministério da Economia, no Palácio do Planalto e entre parlamentares aliados o sentimento é que ver a reforma tributária aprovada é algo para o "médio e longo prazo".

Fontes do governo afirmam ainda que Lira decidiu encampar a reforma tributária como uma das suas prioridades para não perder o espaço para os senadores.

A avaliação, que também é feita por alguns parlamentares, é de que a CPI da Covid dará protagonismo a senadores em ano pré-eleitoral.

O relator da CPI é o senador Renan Calheiros (MDB-AL), considerado adversário político de Lira em Alagoas.

Reforma fatiada

Por mais que mudanças tributárias não sejam pautas com apelo eleitoral, principalmente no caso de um retorno da CPMF, Lira defendeu durante toda a segunda-feira (3) que a proposta a ser apresentada precisa ser fatiada

O fatiamento também é defendido pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, mas não é unanimidade entre os congressistas.

Segundo Lira, todos os temas das quatro etapas são difíceis, mas a divisão deixou os temas mais complexos como a CPMF para o final. O primeiro projeto é do ministro Paulo Guedes e cria a CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços).

No último domingo, Arthur Lira negou que os líderes e atores principais não tenham sido comunicados sobre o acordo de fatiar a reforma tributária em quatro partes para votar. "Não é verdade que os líderes não foram consultados, falei com todos, não poderei tratar um assunto desse sem o conhecimento deles", disse em entrevista ao Canal Livre, na emissora Band News.

Lira acredita que o "fatiamento" da reforma aumenta as chances de votação das mudanças tributárias na Câmara. "Temos a obrigação de fazer com que o país tenha a oportunidade de fazer uma gestão de suas contas", disse o presidente da Câmara, no domingo.

Sem impeachment

Lira tem vivido um momento de paz com o presidente Bolsonaro.

Em manifestação enviada ao STF (Supremo Tribunal Federal), após pedido da ministra Cármen Lucia, o presidente da Câmara disse que o "exame da admissibilidade" de um processo de impeachment contra o presidente da República "não se limita a mera análise formal".

"Podendo — e devendo — avançar para a conveniência e oportunidade políticas de se deflagrar um processo de impeachment do titular do Poder em torno do qual historicamente se têm organizado todas as demais instituições nacionais.".

Com a defesa de que é preciso avaliar o cenário político para um eventual processo de impeachment, Lira, no entanto, manda um recado ao Palácio do Planalto.

O momento não é para isso, mas pode vir a ser a depender da "conveniência e oportunidade políticas".

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