PUBLICIDADE
Topo
Notícias

Notícias

CPI da Covid pode ouvir Guedes após Mandetta relatar distanciamento da equipe econômica

04/05/2021 17h43

Por Ricardo Brito

BRASÍLIA (Reuters) - A CPI da Covid no Senado pode ouvir o ministro da Economia, Paulo Guedes, após o ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta ter relatado que havia um distanciamento da equipe econômica no enfrentamento da pandemia do novo coronavírus.

A proposta de convocação de Guedes foi anunciada pelo vice-presidente da CPI, senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), após comentários feitos por Mandetta em depoimento ao colegiado.

Segundo Randolfe, esse pedido deve ser votado em reunião administrativa da CPI na quarta-feira, após o colegiado tomar o depoimento do ex-ministro Nelson Teich, que sucedeu Mandetta à frente da pasta.

Em entrevista após o depoimento de Mandetta, o relator da CPI, senador Renan Calheiros (MDB-AL), disse concordar com o pedido.

"Eu aprovo, esse requerimento do senador Randolfe contará com o meu voto, eu sou apenas um redator e neste caso posso votar em apoio e solidariedade ao senador Randolfe", disse.

Mandetta, nomeado para a pasta no início do governo e demitido pelo presidente Jair Bolsonaro no início de abril, foi questionado na comissão sobre como foi trabalhar junto com o titular da Economia na crise sanitária.

Segundo o ex-ministro, o "distanciamento" da equipe econômica era real. Mandetta disse que dialogava um pouco com o segundo escalão da Economia sobre algumas questões, mas que no âmbito de conversas entre ministros "havia telefonemas que não eram respondidos".

Mandetta afirmou que havia uma visão "de muito menor gravidade da pandemia" da parte de Guedes. Segundo o ex-ministro, Guedes dizia que o PIB ano passado só iria cair 0,5 ponto percentual, de 2,5% para 2% -- ao final, a economia brasileira encolheu 4,1% em 2020.

O ex-ministro disse que a ideia de que iria haver um "efeito de rebanho" em termos de imunidade acabou induzindo o governo federal a dar um auxílio de 600 reais por 3 a 4 meses, com a crença de que logo após esse período a doença se "desfaria".

Para Mandetta, muitas decisões deveriam ser tomadas conjuntamente entre a Economia e a Saúde, mas sempre houve um distanciamento.

Procurado, o Ministério da Economia não respondeu de imediato a um pedido de comentário.

"HOMEM PEQUENO"

Durante o depoimento, Mandetta chamou Guedes de "desonesto intelectualmente" e "homem pequeno", e destacou que o ministro da Economia não "ajudou nada" no enfrentamento à pandemia do coronavírus.

O comentário do ex-ministro decorreu de fala recente de Guedes de que o Brasil deveria ter comprado vacinas ainda na época em que Mandetta comandava a Saúde. Segundo o ex-ministro, no entanto, não havia comercialização de vacinas quando ele integrava o governo.

"Esse ministro Guedes, da Economia, eu vi aquilo, um desonesto intelectualmente, uma coisa pequena, um homem pequeno para estar onde está", afirmou.

"Esse ministro não soube nem olhar o calendário para falar: 'puxa, enquanto ele estava lá, nem vacina sendo comercializada no mundo havia'. Eu tenho muita, muita, só posso a lamentar", emendou.

Mandetta, por outro lado, elogiou a atuação do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, na pandemia.

"Esse sim, ligava, perguntava, mandava informações que captava no mercado, extremamente atencioso com coisas de economia e de impacto nas coisas públicas, ajudou muito. O deste da Economia não ajudou nada, pelo contrário, falava assim, já mandei o dinheiro, agora se virem lá e vamos tocar a economia. Vamos tocar a economia talvez tenha sido uma das vozes que tenha tocado o presidente", disse.

Além do requerimento com a convocação de Guedes, a CPI deverá apreciar na quarta também pedidos de convocação do ministro da Justiça, Anderson Torres, que questionou em entrevistas o trabalho que a comissão de inquérito iria fazer, e do ex-secretário de Comunicação da Presidência Fábio Wajngarten, que apontou falhas na aquisição de vacinas.

Notícias