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A direita triunfa nas eleições regionais de Madri, um golpe para Sánchez

04/05/2021 19h24

Madri, 4 Mai 2021 (AFP) - A direita espanhola e a sua candidata Isabel Díaz Ayuso triunfaram nesta terça-feira (4) nas eleições regionais de Madri, um fiasco para o Partido Socialista do presidente Pedro Sánchez neste acontecimento que se viveu num tom nacional.

Depois de contar 95% das cédulas, Isabel Díaz Ayuso, presidente regional e candidata à reeleição pelo Partido Popular (PP), dobrou o resultado das últimas eleições de 2019 e obteve 65 das 136 cadeiras da Câmara de Madri.

"Hoje começa um novo capítulo na história da Espanha", proclamou uma emocionada Diaz Ayuso da varanda da sede do PP, perante centenas de eleitores.

"Hoje de Madri, a partir do quilómetro 0, vamos recuperar o orgulho (...) a convivência, a unidade e a liberdade de que a Espanha precisa", acrescentou a política madrilena, afirmando que, após esta vitória dos conservadores, o governo de esquerda de Pedro Sánchez "tem os dias contados".

Na falta de maioria absoluta, fixada em 69 cadeiras, o PP precisará do apoio da extrema direita da Vox (13 deputados). O líder regional da Vox, Rocío Monasterio, declarou imediatamente que facilitará a posse de Díaz Ayuso, como fez há dois anos.

Por sua vez, o Partido Socialista de Sánchez obteve o pior resultado de sua história na região, com 24 cadeiras, sob o comando de seu candidato regional Ángel Gabilondo. "Não estávamos esperando por isso", disse ele com tristeza.

A esquerda radical do Podemos, encabeçada nestas eleições por seu líder, Pablo Iglesias, obteve 10, muito atrás de sua dissidência, Más Madrid, empatou o número de assentos e até superou em número de votos

A participação foi muito alta, segundo dados oficiais quase completos. Uma hora antes do fechamento das seções, votaram 69% dos eleitores convocados, 11% a mais do que na mesma hora em 2019.

Ciudadanos, um partido liberal de centro-direita que governou com o PP na legislatura anterior em Madri e se tornou o terceiro partido na Espanha em 2019, desaparece do parlamento regional.

O comparecimento foi muito alto e aponta para mais de 76%.

As eleições desta terça foram as primeiras realizadas em Madri desde que surgiu a pandemia, em março de 2020, especialmente virulenta na capital, que precisou improvisar hospitais de campanha e um necrotério em uma pista de patinação no gelo.

Ainda agora, com 15.000 óbitos de um total de 78.000 em todo o país, a região da capital registra as piores incidências pelo coronavírus, com 44% de seus leitos de terapia intensiva ocupados com pacientes doentes com covid-19.

- Presidente dos bares -No entanto, os conservadores, que governam Madri há 26 anos, capitalizaram a arriscada política de medidas flexíveis adotada há quase um ano por Díaz Ayuso, com a abertura contínua de bares, restaurantes e casas de espetáculos.

A resistência às pressões do governo central e a oposição a endurecer as restrições renderam amplas simpatias, especialmente no setor de bares e restaurantes, com cervejas e pizzas batizadas em sua homenagem.

"Ayuso merece ser amada pelo que fez, abrir os bares e gerar emprego", disse José Luis Cordón, um funcionário público de 63 anos que votou na conservadora.

O resultado das eleições antecipadas terá validade de apenas dois anos, pois os madrilenos terão que votar novamente em 2023, quando devem acontecer as legislativas nacionais.

Enquanto aguarda a disputa nacional, o PP, desbancado do poder central em 2018, apresenta a "batalha de Madri" como a primeira etapa da futura disputa eleitoral com Pedro Sánchez, que governa em coalizão com o partido de esquerda radical Podemos.

"Hoje vivemos uma virada na política nacional", declarou nesse sentido o presidente do PP, Pablo Casado.

"A coalizão que governa a Espanha seguirá por muitos anos", respondeu Pablo Iglesias, que abandonou uma vice-presidência do governo central para disputar a eleição em Madri.

- Slogans e ameaças -A campanha aconteceu dentro de uma estrita lógica de blocos: os partidos de direita (PP, Vox e os liberais de Cidadão) contra as formações de esquerda (PSOE, Podemos e sua cisão Mais Madri).

Os debates sobre problemas concretos como a gestão da pandemia, os problemas de habitação e de investimentos em serviços públicos não tiveram peso.

Em um clima de slogans bombásticos ("comunismo ou liberdade", "fascismo ou democracia"), a campanha foi abalada por ameaças contra vários líderes políticos, entre eles Díaz Ayuso e Pablo Iglesias, com envelopes que continham projéteis de armas de fogo.

A votação acontece sob rígidas medidas para minimizar o risco de contágio para eleitores e mesários.

As autoridades pediram às pessoas com covid-19 ou suspeita de contágio que votem no último horário, entre 19H00-20H00, mas esta não é uma obrigação.

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