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15 dias

RJ: três morrem em operações com tiros nos complexos do Alemão e da Maré

do UOL

Marcela Lemos

Colaboração para o UOL, no Rio de Janeiro

22/04/2021 12h54Atualizada em 22/04/2021 14h51

Ao menos três pessoas morreram em operação policial realizada na comunidade da Maré, na manhã de hoje, no Rio de Janeiro. Houve também ação policial no complexo do Alemão, na localidade conhecida como Nova Brasília. Ambas as comunidades estão na zona norte da cidade.

Na Maré, a operação foi feita pela Polícia Civil, que alegou combate ao tráfico de drogas. Já no Alemão, o COE (Comando de Operações Especiais da PM) foi o órgão responsável, indicando que o motivo foi "preservar a ordem pública". Porém, os dois atos contrariam a determinação do STF (Supremo Tribunal Federal) que proíbe as operações no período de pandemia. A PM alega que informou o MP (Ministério Público) sobre a operação no Alemão.

Segundo a Polícia Civil, as três pessoas mortas na Maré eram suspeitas de ligação com o tráfico e foi preso Rubens Ricardo da Silva, conhecido como Rubinho do Aço, que seria um dos fundadores da facção criminosa TCP (Terceiro Comando Puro) e foi condenado a mais de 40 anos de prisão. A PM informou que um integrante de sua corporação foi ferido na cabeça e encaminhado para o Hospital Getúlio Vargas, na Penha.

Nas redes sociais, moradores denunciaram a ocorrência de muitos tiros, helicóptero dando rasante e arrombamento de imóveis pelos policiais.

René Silva, fundador do jornal Voz das Comunidades, que publica notícias sobre o Complexo do Alemão, postou na internet denúncias sobre a invasão policial.

"Moradores estão nos mandando fotos das suas portas arrombadas pela polícia durante operação agora de manhã no Complexo do Alemão. Estão revirando tudo, sem nenhuma autorização legal! Até quando?", questionou.

Em outro post, o morador publicou o vídeo que flagra um arco-íris e o som de tiros na comunidade.

No Twitter, o ativista Raull Santiago relatou que moradores não conseguem sair de casa para tomar vacina contra a covid-19, por causa do confronto. Ele comentou ainda que a polícia ignora a proibição de operações na cidade.

Segundo moradores, dois helicópteros sobrevoaram a região.

Na página Maré Vive, dedicada ao complexo de mesmo nome, moradores relatam a ação da polícia na favela. "Vamos nos comunicar e nos manter seguros. Helicóptero estava dando rasantes pela Baixa [do Sapateiro] e morro do Timbau", disse uma publicação.

Moradores relatam a situação tensa na internet. "Tava demorando. Só faltaram entrar pela janela aqui na Baixa", disse um internauta. "É incrível. É só voltar as aulas que começam", criticou outro. "Caveirão parado na Rua Oliveira cerca de 30 minutos", relatou outra pessoa.

Apreensão de armas e drogas

A Polícia Civil informou que fez a operação na Maré para "reprimir o conflito entre facções criminosas rivais, que, de acordo com as informações do setor de inteligência, utilizam armamento de guerra, e ainda, a possível circulação de criminosos armados oriundos de outras comunidades da Região Metropolitana do Rio".

Na operação, a Polícia Civil informou que apreendeu "enorme quantidade de drogas, como maconha, skunk e cocaína, além de rádios transmissores, telefones, munições, duas pistolas importadas e um fuzil calibre 556".

Já a PM destacou que ação realizada no Alemão "é feita dentro dos princípios de excepcionalidade visando a preservação da ordem pública, e comunicada ao Ministério Público".

A operação no Alemão teve o envolvimento do Bope (Batalhão de Operações Policiais Especiais), do GAM (Grupamento Aeromóvel) e do BPChq (Batalhão de Polícia de Choque). As equipes atuam nas comunidades do Alemão, Fazendinha e Nova Brasília.

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