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Conteúdo publicado há
15 dias

Díaz-Canel quer partido mais democrático, mas não tolerará "ativismo do caos"

19/04/2021 23h40

Havana, 19 abr (EFE).- O novo líder do Partido Comunista de Cuba (PCC), Miguel Díaz-Canel, quer que ele seja mais "democrático, atraente e próximo do povo", mas ao mesmo tempo advertiu os "ativistas do caos" que "a paciência tem limites".

"Advertimos ao lúmpen mercenário que a paciência deste povo tem limites", enfatizou o também presidente cubano em seu primeiro discurso como primeiro secretário do partido único cubano, que concluiu seu VIII Congresso nesta segunda-feira, após quatro dias de debates a portas fechadas.

Diaz-Canel, que substituiu Raúl Castro tanto no comando do país como da legenda, disse que a Revolução "não teme o pensamento criativo, mas o encoraja e o cultiva", embora tenha frisado que não permitirá que "os ativistas do caos e do desrespeito manchem a bandeira e insultem as autoridades", segundo o texto divulgado pela Agência Cubana de Notícias.

O político alegou que opositores tentam construir uma matriz de opinião para mostrar a ilha como uma nação "rígida".

"Os inimigos da Revolução aplicam conceitos de guerra não convencionais e tentam entrar sorrateiramente pelo flanco da sensibilidade, da cultura e do pensamento", disse.

A "atividade ideológica" e o confronto com opositores no novo cenário aberto pela internet e as redes sociais estiveram entre os debates dos 300 delegados presentes ao congresso da legenda, que começou na última sexta-feira.

Díaz-Canel convocou "reuniões periódicas com representantes dos diferentes setores da sociedade" e afirmou considerar necessária uma militância exemplar "que desperte admiração e respeito entre o povo".

RELAÇÕES NORMAIS COM EUA.

O novo líder do único partido permitido no país reiterou que o embargo imposto pelos Estados Unidos é o principal "obstáculo" ao desenvolvimento de Cuba, mas acrescentou que "ratificar esta verdade não é uma tentativa de esconder as deficiências de nossa realidade".

Díaz-Canel reiterou que a aspiração de seu país é manter relações com os EUA "como com o resto da comunidade internacional" e questionou a existência de leis como a Helms-Burton.

O presidente cubano lamentou uma crescente hostilidade de Washington nos últimos anos, através de sanções e campanhas que classificou como de "intoxicação ideológica" e que segundo ele procuram "desacreditar Cuba e confundir o povo, exacerbando as contradições internas".

Díaz-Canel também mencionou questões que poderiam ser exploradas como parte de uma futura colaboração bilateral, incluindo a luta contra pandemias e mudanças climáticas.

O ex-presidente Donald Trump aboliu os canais legais para o envio de remessas, tornou mais rígidos os requisitos para viagens à ilha, vetou cruzeiros, proibiu voos para todos os aeroportos cubanos - exceto o de Havana - e reincluiu Cuba na lista dos Estados Unidos de países patrocinadores do terrorismo.

Cuba, passando por uma crise econômica aguda, esperava que a chegada de Biden à Casa Branca amenizasse as tensões bilaterais vividas com Trump e trouxesse uma nova aproximação. EFE

lbp/id

(foto) (vídeo)

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