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Com pouco kit intubação, hospitais privados de SP mudam protocolos nas UTIs

Atendimento médico na UTI de atendimento à pacientes com covid-19, no Hospital Geral de Itapecerica da Serra, na Grande São Paulo - MISTER SHADOW/ASI/ESTADÃO CONTEÚDO
Atendimento médico na UTI de atendimento à pacientes com covid-19, no Hospital Geral de Itapecerica da Serra, na Grande São Paulo Imagem: MISTER SHADOW/ASI/ESTADÃO CONTEÚDO
do UOL

Leonardo Martins

Do UOL, em São Paulo

14/04/2021 22h01Atualizada em 14/04/2021 22h42

Um levantamento feito pelo Sindicato de Hospitais, Clínicas e Laboratórios no estado de São Paulo aponta para o desabastecimento do chamado 'kit intubação' nos hospitais particulares. Diante da falta dos medicamentos, os hospitais mudaram o protocolo nas UTIs para racionar os fármacos.

A pesquisa foi feita entre os dias 5 e 9 de abril, por meio de uma plataforma digital com abordagem telefônica, e inclui 105 hospitais particulares do estado. O kit intubação é a combinação de medicamentos sedativos para intubar os pacientes que necessitam de auxílio respiratório.

Em nota, o sindicato ressaltou que os hospitais estão mudando a composição das drogas para não faltar remédio a nenhum paciente. "Todos os hospitais estão testando diferentes composições de drogas e dosagens distintas, mas isto se faz sempre que você não consegue manter o 'padrão ouro'", diz o texto.

Os hospitais relataram aos pesquisadores os principais problemas que enfrentam na pandemia. As principais reclamações foram a dificuldade de cancelamento de cirurgias eletivas (85%); falta de profissionais (81%); falta de médicos (78%); excesso de pacientes com covid-19 (63%) e afastamento de colaboradores (52%).

Um outro levantamento realizado pela Fehosp (Federação das Santas Casas e Hospitais Beneficentes do Estado de São Paulo) já alertou sobre o desabastecimento de anestésicos e medicamentos do chamado "kit intubação". De acordo com a categoria, o estado é gravíssimo.

Ao todo, a Fehosp tem uma rede com cerca de 300 hospitais associados, dos quais 160 têm de três a cinco dias de estoques de anestésicos, sedativos e relaxantes musculares. Após esse período, começam a ficar escassos também os antibióticos.

A Federação alega que a Secretaria de Estado da Saúde tem fornecido ajuda, mas que também não estaria conseguindo grandes volumes de medicamentos.

Hoje, o governo estadual enviou ofício ao Ministério da Saúde pedindo medicamentos do kit intubação em 24 horas para repor estoques e evitar um colapso.

A situação de abastecimento de medicamentos, principalmente daqueles que compõem as classes terapêuticas de bloqueadores neuromusculares e sedativos está gravíssima, isto é, na iminência do colapso, considerando os dados de estoque e consumo atualizado pelos hospitais nesses últimos dias."
Jean Gorinchteyn, secretário de Saúde, conforme revelou a Folha de S.Paulo.

Secretarias Municipais de SP também fizeram alerta

Há uma semana, o Conasems (Conselho de Secretarias Municipais de Saúde do Estado de São Paulo) alertou que quase 40% dos serviços de saúde do estado estavam com estoques zerados de remédios que fazem parte do "kit intubação".

Até o dia 5 de abril, o conselho identificou que, de um total de 1.514 serviços municipais de saúde, 59% possuem apenas sete dias de estoque de bloqueadores neuromusculares e destes, 39% ( ou 591) estão zerados em seu fornecimento.

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