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IBGE pode acabar se Censo não for feito em 2021, diz demógrafo

Sem Censo em 2021, o IBGE está ameaçado - Reprodução
Sem Censo em 2021, o IBGE está ameaçado Imagem: Reprodução
do UOL

Colaboração para o UOL

08/04/2021 10h51

Com recursos cortados e a pesquisa do Censo ameaçada, o demógrafo José Eustáquio Diniz prevê um possível fim para o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Segundo o pesquisador, em entrevista para o Valor Econômico, quanto mais tempo o país seguir sem esses dados populacionais, menos eficazes serão os resultados e, com isso, menos verba será alocada para a instituição.

O prejuízo, na visão de Eustáquio, não será apenas para a ciência, pois pode gerar ramificações sociais e econômicas. "O IBGE fica sujeito a essa situação constrangedora: simplesmente o Congresso corta os recursos e inviabiliza o Censo. Isso é um tiro de quase morte. Se não for feito o Censo neste ano, se forem consolidados esses cortes, você pode levar o IBGE para a UTI, vai ter que ser tratado com respiração artificial, senão vai morrer", avisou.

Essa edição do Censo já foi postergada um ano - era para ter sido realizada em 2020, mas foi adiada por conta da pandemia. Para o demógrafo, a pesquisa deve ser realizada agora, porque os próximos anos serão ainda menos propícios para isso, já que em 2022 vários recursos serão destinados para as eleições e, mesmo com vacina, o país ainda deve estar lidando com o cornavírus. "Esses parlamentares, que já cortaram os R$ 2 bilhões no meio da pandemia que poderiam lhes dar informações para a criação de leis, vão cortar no ano que vem também. Em 2023 vai entrar um próximo governo com déficit enorme nas contas públicas. Esse censo pode acabar ficando para 2025", pontuou.

Eustáquio pede que agentes políticos a favor do Censo se manifestem e conscientizem outros sobre não só a importância da coleta de dados, mas a ilegalidade de não fazê-la a cada dez anos - o mínimo previsto por lei. O pesquisador defende que o Censo é atividade essencial, inclusive, para controlar a pandemia no Brasil. "Sem informação não se combate a doença. O IBGE é o SUS da informação. Não dá para brincar", completou. Ele alertou para a possibilidade de que, pela primeira vez, o Brasil tenha mais pessoas morrendo do que nascendo, devido ao avanço desenfreado dos casos de covid-19.

A constatação, caso a previsão seja concretizada, não depende do Censo, mas a pesquisa pode ajudar a dimensionar o impacto dessa crise na estrutura social do país. "Podemos ter mais de 100 mil mortes só em abril", falou. Além do número alarmante de vidas perdidas, outro problema que Eustáquio vê necessidade de catalogar é a alta taxa de desemprego.

Segundo o pesquisador, mais de 14 milhões de pessoas ativamente procuram emprego e 32 milhões são "desalentadas", ou seja, estão sem trabalho mas não procuram. "Não temos informações precisas sobre essas 32 milhões de pessoas e isso é grave", completou.

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