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Detenções na fronteira dos EUA atingem maior índice em 15 anos

08/04/2021 20h13

Washington, 8 Abr 2021 (AFP) - A quantidade de migrantes detidos na fronteira sul dos Estados Unidos aumentou 71% em março em comparação com o mês anterior, para um total de 172.331 pessoas - o máximo em 15 anos, um desafio para o governo de Joe Biden.

O número de menores não acompanhados registrou um aumento de 100% em um mês, ao somar mais de 18.000 crianças, de acordo com os dados da Fiscalização de Alfândega e Proteção de Fronteiras dos Estados Unidos (CBP).

Esses menores, admitidos nos Estados Unidos, representam um desafio logístico crescente para o governo, que deve abrigá-los enquanto espera reuni-los com um parente no país.

Na quarta-feira, as autoridades reportaram 20.000 crianças migrantes desacompanhadas, 4.228 sob responsabilidade do CBP e 16.045 sob custódia do Departamento de Saúde (HHS).

Para fazer frente ao aumento desses números, o governo habilitou bases militares e outros recintos para abrigá-los.

Segundo o jornal The Washington Post, o custo semanal para abrigar menores é de cerca de 60 milhões de dólares.

Os números na fronteira "estão em alta desde abril de 2020 devido a razões que incluem a violência, os desastres naturais, a insegurança alimentar e a pobreza no México e nos países do Triângulo Norte da América Central", disse a patrulha da fronteira.

"Isso não é algo novo", afirmou Troy Miller, comissário interino do CBP.

Os republicanos responsabilizam o governo por abrir as portas do país a quem atravessa ilegalmente a fronteira e por causar uma "crise" na região entre os Estados Unidos e o México.

O congressista republicano do Texas Roger Williams disse que é "uma tragédia que crianças tão novas, de apenas três anos, estejam tentando uma longa e perigosa jornada sozinhas".

"O governo Biden deve tomar medidas urgentes, pois a crise na fronteira continua a colocar as crianças em perigo", disse ele.

Para o congressista Jim Jordan "o caos na fronteira poderia ter sido evitado", mantendo a política do presidente anterior, o republicano Donald Trump.

- A maioria dos migrantes são expulsos -A maioria dos migrantes vem do México e Honduras, El Salvador e Guatemala e, de acordo com o CBP, há uma tendência crescente de migração em grupos.

Segundo as autoridades, 60% dos migrantes que chegaram nos Estados Unidos - 103.900 pessoas - foram expulsos. Deles, 28% eram migrantes que já haviam sido deportados do país.

O governo de Joe Biden enfrenta crescentes pressões para administrar a situação na fronteira e abrigar os menores não acompanhados.

"Ninguém deve ter a expectativa de que isso será resolvido da noite para o dia", disse um alto funcionário que falou sob condição de anonimato. "O presidente tem um plano", garantiu.

Biden afirma que esse aumento das migrações é sazonal e apontou que haverá queda, mas os padrões dos anos anteriores mostram que esses picos não cedem até que o clima no deserto se torne extremo nos meses de maio e junho.

Na quarta-feira, a vice-presidente Kamala Harris - responsável por trabalhar com México, Guatemala, El Salvador e Honduras para abordar as causas fundamentais do fluxo de migrantes nos Estados Unidos - falou com o presidente mexicano Andrés Manuel López Obrador.

López Obrador afirmou que "existe disposição" por parte do México para somar vontades no combate ao tráfico de pessoas e proteção dos direitos humanos. No entanto, o presidente insistiu que a migração irregular só vai ser contida quando as causas que a propiciam forem atendidas.

O secretário do Departamento de Segurança Interna (DHS), Alejandro Mayorkas, viajou até a fronteira no Texas nesta quinta-feira e se reuniu com líderes comunitários, longe da mídia.

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