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Covid-19: Não se sabe gravidade de possível variante de BH, diz professor

Pelo menos 92 linhagens de coronavírus já passaram pelo Brasil, segundo a Fiocruz - iStock
Pelo menos 92 linhagens de coronavírus já passaram pelo Brasil, segundo a Fiocruz Imagem: iStock
do UOL

Colaboração para o UOL

08/04/2021 10h31

No momento mais crítico da pandemia no Brasil, pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) identificaram uma nova possível variante do coronavírus circulando em Belo Horizonte. Segundo as poucas informações até o momento, sabe-se que já foram identificadas 18 mutações diferentes do vírus original chinês nessa nova eventual variante.

Renan Pedra de Souza, professor Genética Humana da UFMG, explicou à CNN quais os próximos passos que devem ser seguidos na pesquisa para poder entender melhor essa possível nova variante circulando no Brasil.

"O que esperamos daqui em diante é caracterizar o quanto ele [vírus identificado em Belo Horizonte] está circulando, qual a frequência desse evento e passar para os estudos funcionais quanto à maior infectividade ou mesmo avaliar a gravidade da doença causada por essa linhagem", contou.

O professor ressaltou que as pesquisas no mundo todo já conseguiram identificar mais de 800 variantes, porém, nem todas são capazes de impactar como a covid-19 age. Segundo Renan Pedra de Souza, a Fiocruz fez um consolidado das informações disponíveis no momento e apontou que 92 linhagens já foram identificadas em algum momento no Brasil.

"Não existe na história moderna de saúde nenhum vírus que se espalhou tanto e que teve um acompanhamento desse espalhamento como temos feito com o coronavírus.", disse.

É um processo de evolução, e todo processo de evolução não pode ser contido. Infelizmente, toda vez que o vírus se multiplica, ele altera. Pelo volume de pessoas infectadas e de multiplicações que esse vírus está sofrendo, é esperado que essas linhagens surjam.
Renan Pedra de Souza

Possível nova variante

As amostras em que apresentaram as mutações foram coletadas nos dias 27 e 28 de fevereiro deste ano, na região metropolitana de Belo Horizonte, e não apresentam nenhuma evidência de ligação epidemiológica, como parentesco ou região residencial, o que reforça a plausibilidade de circulação desta nova possível variante.

"Os resultados da pesquisa requerem urgência de esforços de vigilância genômica na região metropolitana de BH e estado de Minas Gerais para a avaliação da situação destes novos variantes de SARS-CoV-2", diz a nota sobre a pesquisa divulgada pela universidade.

Região das mutações

De acordo com a professora Carolina Voloch, da UFRJ, que participa do estudo desse novo genoma encontrado, as mutações encontradas na possível nova variante foram exatamente na mesma região do vírus que as mutações da P1, cepa primeiro encontrada na cidade de Manaus, e que é preocupação para a comunidade mundial.

"Esse vírus novo que a gente encontrou também possui um conjunto grande de mutações nessa região e o mais importante é que sao mutações exatamente nas mesmas regiões, mas que são mutações diferentes. São o que a gente chama de alelos novos", explicou ela em entrevista à GloboNews na manhã de hoje.

A professora explicou que este é um dado importante, porque aponta que essas regiões em que as mutações se deram são importantes e adaptativas ao vírus.

"Essas mutações não estão acontecendo na mesma região por acaso. A gente realmente precisa ficar muito atento ao que vai acontecer com essa nova linhagem e estudar o mais breve possível e entender os efeitos dessas mutações", concluiu.

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