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Troca de óleo: o que você precisa saber para não ser enganado

do UOL

Fernando Miragaya

Colaboração para o UOL

07/04/2021 04h00

Lubrificante é sempre algo tratado como apocalíptico em relação aos automóveis e não é exagero. Respeitar os prazos de troca de óleo e seguir as recomendações dos fabricantes são regras básicas para o bom funcionamento do motor.

Mesmo assim, a cada ida no posto de combustível ou passada de olho no grupo do Whatsapp surge uma verdade suprema sobre o tema. Ou é o frentista que condena a qualidade do óleo que está ali, ou é o "tio do zap" que revela um aditivo revolucionário que faz o lubrificante durar para sempre - e que as grandes petroleiras não querem que você descubra...

Pois é, neste bombardeio de informações, afinal o que o motorista deve fazer? Quais prazos de troca de óleo deve respeitar? É permitido usar tipos de lubrificantes diferentes? São tantas perguntas — mais que no desenho do Show da Luna — e reunimos as principais questões aqui.

Prazo de troca

A maioria das marcas recomenda a substituição do produto a cada 10 mil km, mas muito se fala no uso severo do carro. Ou seja, nestas condições, os prazos deveriam ser reduzidos.

Segundo Fernanda Ribeiro, coordenadora de Gestão de Produtos da Iconic (joint venture entre Ipiranga e Chevron), os veículos submetidos a condições mais severas realmente demandam trocas de óleo em intervalos menores.

E engana-se quem acha que uso severo é para o carro que anda muitos quilômetros por dia. Quem só liga o automóvel para ir e voltar da padaria, ou trafega por trechos muito curtos, força bastante o motor, que não atinge a temperatura ideal justamente pelo pouco tempo de funcionamento.

"Geralmente, veículos que trafegam com motores 'frios', fora da temperatura ideal, são sujeitos ao efeito do blow-by, que é a passagem de gases da combustão para o óleo. Esses gases contêm combustível não queimado e água, que em contato com o óleo do cárter, em condição de baixa temperatura, favorece a formação de borra, sendo prejudicial ao motor", explica Fernanda.

Por esta razão, se você se enquadra neste perfil, é importante verificar no Manual do Proprietário as recomendações de troca de óleo. O livrinho traz as informações sobre os prazos também em caso de uso severo do automóvel.

Aditivos

Isso é uma lenda que se perdura por anos. Os lubrificantes já têm, em sua composição, um pacote de aditivos necessários para atender às especificações daquele projeto de motor e seu pleno funcionamento.

É um kit de "antis": tem antidesgaste, antiespumante e antioxidante, além de substâncias que colaboram para manter o índice de viscosidade. Sem falar nos dispersantes que ajudam a manter o motor limpo e evitar que impurezas se depositem no motor.

Por esta razão, qualquer aditivo extra não é só dispensável, como não recomendável. "Ao adicionar um condicionador de metal ou aditivo suplementar ao óleo, seja ele qual for, acontecerá o desbalanceamento da formulação recomendada pelo fabricante, o que acaba sendo maléfico em vez de benéfico para o motor", adverte a executiva da Iconic.

Sintético é sempre melhor?

Existem três tipos de processos de obtenção do óleo automotivo: mineral, semi-sintético e sintético. Em linhas gerais e básicas, os minerais passam por processos de refinos a partir do petróleo bruto.

Os 100% sintéticos oferecem nível de viscosidade mais estável do que o mineral. Desta forma, ficam menos vulneráveis a variações de temperatura dentro do motor. Os semi-sintéticos são uma mistura entre as duas opções anteriores: usam como base o mineral, mas recebem propriedades sintéticas que retardam o seu envelhecimento.

Tecnicamente, o produto sintético é superior aos demais. Ele passa por um processo químico mais complexo, tem maior vida útil e mantém a fluidez ágil dentro do conjunto mecânico. Assim, garante uma lubrificação mais rápida das partes altas do motor, principalmente nas partidas a frio.

"Ele é obtido por um processo severo de destilação do petróleo a altíssimas pressões seguido de um processo catalítico adicional ou por meio de derivados petroquímicos, havendo assim maior controle em sua fabricação, ampla homogeneidade de suas moléculas e, por isso, são produtos mais puros", destaca Fernanda Ribeiro.

Posso usar sintético quando o motor pede mineral?

Sim e essa é uma das vantagens do sintético. Por ser quimicamente mais estável, o produto garante maior vida útil ao motor e aos seus componentes por ter maior capacidade de limpeza e resistência à oxidação, maior estabilidade térmica, além de menor atrito fluido. Porém, recomenda-se que, com essa prática, a redução do tempo de troca de óleo e do filtro.

Agora, nunca faça o contrário. Se o manual pede lubrificante sintético, só use o produto deste tipo, jamais mineral ou semi-sintético. "Isso provocará uma redução de performance e de vida útil, além de aumento no consumo de combustível e de emissões, e formação de borra devido ao envelhecimento precoce", alerta a executiva.

Posso usar viscosidade maior?

De jeito algum. A viscosidade é o nível de densidade que o lubrificante precisa para fazer com que as peças metálicas se movam corretamente dentro do motor. Viscosidade acima da indicada significa que o produto trabalhará sob temperaturas mais altas do para as quais foi projetado, o que acarreta em aumento de consumo de combustível e do próprio óleo.

"A viscosidade diferente comprometerá a lubrificação, provocando falhas no sistema, aumento no desgaste das peças e, até mesmo, a quebra do motor", explica a representante da Iconic.

Menor viscosidade faz o motor beber menos?

Isso é uma verdade. Produtos de menor viscosidade são menos densos e, por isso mesmo, proporcionam uma menor resistência ao atrito. Desta forma, a bomba de óleo terá de fazer menos esforço para fazer o lubrificante circular se comparado com um produto de maior viscosidade.

Se a bomba é aliviada, o motor também, e isso resultará em menor consumo de combustível. Então, um exemplo: se o fabricante do seu carro permite duas especificações de óleo, 5W30 ou 10W40, opte pelo 5W30, pois este contribuirá para uma eficiência melhor do conjunto.

O nível de óleo baixou!

Calma, essa perda do produto faz parte do processo de lubrificação. Lembre-se que o óleo tem de circular pelos componentes do motor e atingir até as partes mais altas, como os anéis superiores do pistão. Além disso, os propulsores trabalham em altas temperaturas e a queima parcial do lubrificante é perfeitamente normal.

Porém, fique de olho mais uma vez ao manual do carro, que especifica quanto aquele modelo, em média, perde de lubrificante por quilômetro rodado. A média de consumo entre os veículos de passeio (ciclos Otto e Atkinson e sem pretensões esportivas) é de meio litro de óleo a cada 1.000 km.

Verificação do nível

Não se deixe intimidar pela condenação do frentista no posto de combustível. O nível do lubrificante deve ser checado com o carro frio. Então, espere para fazer a verificação cinco minutos após desligar o motor.

"Neste tempo, o óleo vem descendo das partes mais altas superiores do motor para o cárter e assim pode-se ter a medida real do volume de óleo", orienta Fernanda Ribeiro.

Ao puxar a vareta do medidor, confira a cor do óleo. Se ainda estiver naquele "tom de mel", tudo bem. Se estiver escuro, com jeito de graxa ou gominhos, corra para uma oficina e faça a troca completa imediatamente.

Mas posso só completar?

Como dito, é normal o nível do lubrificante baixar durante o uso. Se ainda não está no momento da troca de óleo e o volume baixou normalmente, deve-se ir completando o nível.

Porém, é importante respeitar os prazos de troca recomendados pelo fabricante para evitar formação de borra na parte interna do motor e o aumento de atrito das partes móveis do conjunto, o que comprometerá o consumo de combustível e a durabilidade das peças.

E pode completar com óleo de marca diferente?

Segundo Fernanda Ribeiro, os óleos automotivos existentes no mercado são compatíveis entre si. Ou seja, se o produto tiver o mesmo nível de desempenho API e a mesma faixa de viscosidade SAE do lubrificante que já está no motor - e que segue as recomendações da montadora -, sem problemas.

"No entanto, a melhor alternativa ainda é evitar essas misturas, sempre que possível, de forma a permitir o melhor desempenho do óleo utilizado e, desta forma, garantir os benefícios atestados pelo fabricante do lubrificante", pondera.

Troca de óleo por sucção é mais eficaz?

Temos aí uma outra lenda sobre o processo de troca de óleo. A executiva da Iconic defende a substituição do produto pelo método tradicional, por gravidade. É aquele que o carro fica em uma plataforma ou elevador, o mecânico retira o bujão do cárter e espera o lubrificante descer por completo.

"Uma troca de sucção pode não ser tão eficaz nessa remoção, fazendo com que se acumule resíduos do óleo antigo, que, no longo prazo, ocasionará a formação de borra pelo excesso de contaminação e oxidação do lubrificante. Isso pode ocasionar sérios danos ao motor".

Como fazer para não ser enganado na troca de óleo?

Além de escolher o produto determinado pelo fabricante do veículo e respeitar o tipo e características (viscosidade e desempenho), é recomendado ir a estabelecimentos especializados em troca de óleo, de preferência os credenciados pelas marcas de lubrificantes.

Também veja se o óleo novo a ser usado está visualmente dentro das propriedades, ou seja, tem aquele tom "mel âmbar". E é fundamental respeitar os níveis mínimo e máximo de lubrificante pedido pelo motor.

"O excesso de lubrificante aumenta o consumo, pode provocar vazamentos e danificar peças importantes do veículo, como o catalisador, enquanto a sua escassez compromete as ações de lubrificação e refrigeração do óleo, podendo provocar diversos danos ao conjunto", explica Fernanda Ribeiro.

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