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Conteúdo publicado há
15 dias

Navio cargueiro é desencalhado no Canal de Suez e tráfego é liberado

29/03/2021 14h22

Suez, Egito, 29 Mar 2021 (AFP) - A Autoridade do Canal de Suez (SCA) anunciou nesta segunda-feira (29) a "retomada do tráfego" nesta importante via marítima obstruída por quase uma semana por um navio cargueiro gigante, o "Ever Given", que finalmente foi desencalhado.

"O almirante Osama Rabie, presidente da Autoridade do Canal de Suez, proclamou a retomada do tráfego de navegação no canal", anunciou a SCA em um comunicado.

Na madrugada desta segunda, o navio de 400 metros de comprimento e mais de 220.000 toneladas, com bandeira panamenha, começou a se mover após a liberação de sua popa, até então imobilizada na margem oeste do canal.

As manobras continuaram com a ajuda de vários rebocadores, até que a embarcação voltou a encalhar brevemente no canal, de acordo com sites de observação do tráfego de embarcações e testemunhas no local.

Pouco depois das 15h15 (10h15 de Brasília), a embarcação finalmente foi colocada na direção do fluxo no meio do canal, com a popa e a proa liberadas.

O desencalhe do navio foi comemorado com buzinaços dos barcos ao redor, enquanto o navio começava a subir lentamente na direção norte do canal, constataram os jornalistas da AFP.

"Conseguimos liberar!", comemorou em um comunicado a empresa proprietária da companhia encarregada do resgate do barco.

"Tenho o prazer de informar que nossa equipe de especialistas, em estreita colaboração com a Autoridade do Canal, desencalhou o Ever Given às 15h05", disse o CEO da Royal Boskalis Westminster, Peter Berdowski, citado no comunicado à imprensa, parabenizando as equipes que enfrentaram esta "pressão óbvia e sem precedentes".

Segundo Boskalis, 30 mil metros cúbicos de areia foram dragados e 13 rebocadores mobilizados. O navio está-se dirigindo para uma área fora do canal para ser inspecionado, conforme especificado no texto.

O presidente egípcio, Abdel Fattah al-Sissi, não esperou pelo fim do resgate para se parabenizar no início do dia por uma operação "bem-sucedida", sendo o famoso canal uma importante fonte de renda para o país.

"Hoje, os egípcios conseguiram pôr fim à crise do navio encalhado no Canal de Suez, apesar da grande complexidade técnica do processo", tuitou o presidente.

Sissi destacou ainda que "os egípcios mostraram hoje que continuam estando à altura", lembrando que o Canal de Suez, inaugurado em 1869, foi escavado por "seus avós com a força de seus corpos".

De acordo com a revista especializada britânica Lloyd's List, o bloqueio criou um engarrafamento de 425 navios, que aguardavam nesta segunda-feira para poderem atravessar esta rota essencial para o comércio marítimo que liga o Mar Vermelho ao Mediterrâneo.

Levará "cerca de três dias e meio" para resolver tudo, advertiu o presidente da Autoridade do Canal, Ossama Rabie, em entrevista à emissora local Sadaa al-Balad.

- Perdas milionárias -Vários reboques e dragas foram mobilizados nas operações.

No domingo pela manhã, aproximadamente 27.000 metros cúbicos de areia haviam sido removidos, a uma profundidade de 18 metros, informou o porta-voz da SCA, George Safwat.

O valor total das mercadorias bloqueadas, ou que precisam optar por uma rota alternativa, é diferente, segundo as estimativas: de US$ 3 bilhões, segundo Jonathan Owens, especialista em logística da universidade britânica de Salford, até US$ 9,6 bilhões, de acordo com a revista Lloyd's List.

As autoridades do canal calculam que o Egito perde entre US$ 12 milhões e US$ 14 milhões por dia com o fechamento. Quase 19.000 navios usaram o canal em 2020, segundo a SCA.

Apesar de o incidente ter sido atribuído em um primeiro momento aos fortes ventos combinados com uma tempestade de areia, Rabie não descartou no sábado que uma "falha humana" possa ter provocado o bloqueio.

Ao longo da estrada que corta a modesta aldeia de Manchyet al-Rougoula, os habitantes observaram impressionados como o imenso navio se movia.

"Estamos contentes de ver o navio se mover graças a Deus", disse um morador, que pediu o anonimato.

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