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Ex-premiê francês Édouard Balladur é absolvido em caso de corrupção

04/03/2021 16h46

Paris, 4 mar (EFE).- A Justiça da França absolveu nesta quinta-feira o ex-primeiro-ministro do país Édouard Balladur, que havia sido julgado pelo financiamento ilegal de sua campanha em 1995, mas condenou seu antigo ministro da Defesa, François Léotard, a dois anos de prisão isentos de cumprimento.

O Tribunal de Justiça da República, competente para julgar membros do Governo por fatos relacionados com o exercício das suas funções, também multou Léotard em 100 mil euros (cerca de R$ 686 mil).

Os dois tinham sido acusados de obterem comissões pela venda de armas à Arábia Saudita e ao Paquistão em 1994, dinheiro que teria sido usado para financiar a campanha presidencial de Balladur em 1995, na qual foi derrotado no primeiro turno.

Félix de Belloy, advogado do ex-primeiro-ministro entre 1993 e 1995, destacou hoje que a decisão põe fim a 25 anos de "calúnias".

Na sua decisão, os juízes consideram que não há provas que Balladur, hoje com 91 anos de idade, organizou uma rede de intermediários para obter comissões sobre estes contratos com empresas francesas do setor da defesa.

Tampouco sabia que parte do dinheiro utilizado para sua candidatura foi obtido ilegalmente.

No entanto, estimam que Léotard, atualmente com 78 anos de idade, teve um papel ativo na arrecadação e desvio de comissões para o financiamento político e por isso o condenam como cúmplice de um crime de apropriação indébita.

O Ministério Público, no julgamento encerrado no início de fevereiro, havia defendido a responsabilidade de Balladur na gestão das comissões ilegais e concluído que tinha conhecimento da origem ilícita dos recursos que alimentaram sua campanha eleitoral.

Naquela época, era permitido o pagamento de comissões a intermediários para obtenção de contratos no exterior. Segundo a acusação, uma parte desse dinheiro - 10,25 milhões de francos (cerca de 2 milhões de euros) - voltou para a França e foi para a conta de campanha de Balladur.

As eleições presidenciais de 1995 foram vencidas por seu grande rival de direita, Jacques Chirac, que uma vez no cargo, proibiu a prática de pagar comissões para ganhar contratos fora da França.

A Justiça francesa está investigando um possível caso em que Balladur foi julgado por um atentado à bomba em 2002 em Carachi, no Paquistão, no qual 15 pessoas foram mortas, incluindo 11 franceses.

Uma bomba explodiu quando um ônibus transportava funcionários do estaleiro militar de Cherbourg (França) deslocados para aquele país para participar da construção dos submarinos vendidos nos polêmicos contratos.

O ataque não foi reclamado nem mesmo pela Al Qaeda, então muito ativa no Paquistão, e há suspeitas de que tenha sido resultado de vingança de autoridades paquistanesas por não terem recebido parte das comissões prometidas.

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