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Cristina Kirchner se considera perseguida pela justiça: "O sistema é podre"

Cristina Kirchner se considera perseguida pela justiça: "O sistema é podre" - Charly Diaz Azcue/Comunicação do Senado Argentino
Cristina Kirchner se considera perseguida pela justiça: "O sistema é podre" Imagem: Charly Diaz Azcue/Comunicação do Senado Argentino

04/03/2021 17h08

A vice-presidente da Argentina, Cristina Kirchner, voltou a dizer nesta quinta-feira que é vítima de uma perseguição judicial, responsabilizou a justiça por contribuir com a crise do país e repudiou o processo que responde por supostas irregularidades na venda de futuros de dólar enquanto era presidente, de 2007 a 2015.

"Este sistema é podre e perverso. É necessário que todos nós façamos um esforço para corrigi-lo e transformá-lo, pois não podemos continuar sendo um país onde alguém entra, nos endivida, depois é absolvido e faz a mesma coisa novamente. Isto é o que está acontecendo e vocês têm responsabilidade nisso", disse a política em audiência virtual.

Desde maio de 2016, Cristina Kirchnet e outros ex-integrantes de seu governo são processados por supostas irregularidades na emissão, pelo Banco Central, de contratos de futuros de dólares na reta final do mandato, o que teria resultado em prejuízos milionários para o Estado.

O processo foi iniciado por uma denúncia de dois legisladores da oposição em 30 de outubro de 2015, apenas cinco dias após o primeiro turno das eleições presidenciais, que no segundo foram vencidas por Mauricio Macri (2015-2019).

CRÍTICA A MACRI

É neste contexto que a atual vice-presidente, que negou que qualquer ilegalidade tenha sido cometida, acusou o Poder Judiciário de ter favorecido a vitória de Macri.

"Não só a 'guerra judicial', mas também a intromissão e manipulação dos processos eleitorais e da política em geral por vocês, como membros do Poder Judiciário", argumentou.

"Vocês, o Poder Judiciário, contribuíram para que esse governo ganhasse as eleições e fizesse o que fez depois. Também são responsáveis pelo que aconteceu e pelo que está acontecendo na Argentina, e isso me deixa realmente muito irritada porque quem sofre é o povo", disse Cristina.

A vice-presidente lamentou que durante o atual governo, presidido por Alberto Fernández, não seja possível aumentar as pensões devido à dívida deixada pelo governo de Macri, durante o qual foi desencadeada uma recessão que ainda persiste e foi solicitado um empréstimo ao Fundo Monetário Internacional (FMI), cujo financiamento está sendo renegociado.

"Fui trazida aqui e disseram que eu tinha causado um prejuízo ao Estado de 55 bilhões de pesos, e trouxeram de volta o FMI com US$ 44 bilhões para ajudar a campanha presidencial de Macri, e nem assim conseguiram", enfatizou.

PERSEGUIÇÃO

Segundo a ex-mandatária, que é acusada juntamente com o ex-presidente do Banco Central Alejandro Vanoli, o ex-ministro da Economia e atual governador da província de Buenos Aires, Axel Kicillof, e outros 12 antigos funcionários de alto cargo, aqueles que lucraram com os contratos de futuros de dólar eram empresários e consultores da coalizão de Macri, que depois integraram o governo.

"Hoje, nós, argentinos, devemos mais US$ 44 bilhões e o senhor é também responsável. Não olhe para o lado, porque também causa, juntamente com os veículos de comunicação, um clima na Argentina que afeta os agentes econômicos e a economia, e assim estamos", declarou.

Além de criticar duramente a gestão do antecessor, Cristina, que é processada em vários casos, principalmente por corrupção, disse que hoje "não é mais necessário desaparecer materialmente com os líderes políticos" - como foi feito na ditadura - "mas suprimi-los com os veículos de comunicação".

"E como é que isto acontece? O 'legislador' não é apenas a perseguição por parte do Poder Judiciário, é também a articulação com os veículos de comunicação", acusou.

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