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Witzel pede em culto: "Troca seu fuzil por Bíblia, que nós vamos te salvar"

Witzel participa de culto da Assembleia de Deus, no Rio - Reprodução/Facebook/ADUD
Witzel participa de culto da Assembleia de Deus, no Rio Imagem: Reprodução/Facebook/ADUD
do UOL

Do UOL, em São Paulo

23/02/2021 18h36

O governador afastado do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC), pediu para que pessoas troquem o fuzil por uma Bíblia, durante pregação em um culto evangélico, realizado na noite de ontem, em São João de Meriti (RJ).

"Eu quero corrigir uma frase que eu disse em uma entrevista, já que Deus tocou em meu coração. [Ele vira para o câmera e pede] Grava isso para viralizar. Durante a campanha, eu falei 'troca o seu fuzil por uma Bíblia, senão nós vamos te matar'. Essa frase viralizou. Eu quero mudar essa frase hoje: 'troque seu fuzil por uma Bíblia porque nós vamos te salvar'", afirmou o governador afastado, em culto da Igreja Assembleia de Deus dos Últimos Dias (ADUD). (Assista ao vídeo abaixo)

A frase ao qual Witzel se refere foi dita por ele quando ainda era candidato a governador do estado, em 2018. Uma das principais propostas de sua campanha era instruir as forças de segurança a "abater" suspeitos que sejam vistos portando fuzis, mesmo que eles não atirassem contra os policiais. Houve críticas na época.

Nas imagens do culto percebe ainda que boa parte dos pastores e frequentadores —dentre eles, Wilson Witzel— não usa máscara de proteção facial contra a covid-19. A Lei 8859/20, que determina o uso obrigatório do acessório no estado do Rio, proposta por deputados e aprovada na Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro), foi sancionada pelo próprio Witzel em junho do ano passado.

Governador vira réu

Em fevereiro, os 14 ministros do STJ (Superior Tribunal de Justiça) foram unânimes ao tornar Witzel réu e aceitar a denúncia feita pela PGR (Procuradoria-Geral da República). Além de ser julgado pelos crimes, o governador também terá que permanecer por mais um ano afastado do cargo.

Outra sanção sugerida pela PGR e acatada pelos ministros foi a de não permitir que o governador e a primeira-dama Helena Witzel retornem ao Palácio das Laranjeiras, residência oficial do chefe do governo do Rio.

Além das acusações aceitas pelo STJ, Witzel também sofre um processo de impeachment na Alerj (Assembleia Legislativa do Rio). Uma comissão da Casa que investigou a atuação do governador durante a pandemia apontou que a revogação por Witzel da desqualificação do contrato do Instituto Unir Saúde —que teria como sócio oculto o empresário Mário Peixoto, preso em maio— teria sido criminosa.

Segundo a investigação, Witzel também tem participação em supostos superfaturamentos em compras para combate à pandemia do coronavírus. O documento também afirma que o governador afastado "agiu em defesa de interesses privados".

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