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Polícia da Geórgia prende líder da oposição em operação contra sede de partido

23.fev.2021 - Nika Melia, líder do principal partido de oposição georgiano, o Movimento Nacional Unido - Vano Shlamov / AFP
23.fev.2021 - Nika Melia, líder do principal partido de oposição georgiano, o Movimento Nacional Unido Imagem: Vano Shlamov / AFP

Em Tiblíssi

23/02/2021 06h46

A polícia da Geórgia prendeu hoje um líder da oposição durante uma operação violenta contra a sede de seu partido, em um país que enfrenta uma crise política desde as eleições legislativas do ano passado.

Nika Melia, líder do principal partido de oposição georgiano, o Movimento Nacional Unido (MNU), foi retirado da sede de sua legenda e está em detenção preventiva, de acordo com imagens do canal de televisão Mtavari.

Centenas de policiais usaram gás lacrimogêneo contra simpatizantes e dirigentes de todos os partidos da oposição que estavam acampados diante do edifício desde a semana passada.

Dezenas de opositores foram detidos.

A operação policial aconteceu após a renúncia do primeiro-ministro Giorgi Gakharia na quinta-feira.

Gakharia afirmou que tomou a decisão por uma divergência em seu partido a respeito da aplicação da decisão judicial de deter a Melia.

A operação policial provocou a revolta da oposição e uma advertência dos aliados ocidentais desta ex-república soviética.

Um dos dirigentes do MNU, Giorgi Pataraia, disse à AFP que a polícia "roubou servidores de computadores" da sede do partido.

Em um comunicado, o Ministério georgiano do Interior afirma que a polícia empregou "força proporcional", assim como "recursos especiais" na operação.

"Chocado com as cenas na sede do MNU esta manhã", escreveu o embaixador britânico Mark Clayton no Twitter.

"A violência e o caos em Tbilisi são as últimas coisas de que a Geórgia precisa neste momento. Apelo às partes para que atuem com moderação, agora e nos próximos dias", completou.

A ordem de detenção de Melia aprofundou uma crise política que afeta a nação do Cáucaso desde as eleições legislativas de outubro.

Os partidos de oposição afirmaram que as eleições foram fraudadas, depois que partido governista Sonho Georgiano reivindicou uma vitória apertada.

Após a renúncia de Gakharia, os partidos opositores pediram a convocação de eleições antecipadas.

Nika Melia é acusado de organizar manifestações violentas contra o governo em 2019 e pode ser condenado a nove anos de prisão. Ele rejeita as acusações, que considera políticas.

Na segunda-feira, o Parlamento confirmou a nomeação do ministro da Defesa, Irakli Garibashvili, como novo primeiro-ministro.

Em um discurso para os deputados, Garibashvili anunciou que o governo prenderia Melia e destacou que o opositor "não conseguirá escapar da Justiça".

O novo primeiro-ministro é considerado um político leal ao oligarca Bidzina Ivanishvili, fundador do partido Sonho Georgiano, homem mais rico do país e considerado por muitos como a pessoa que realmente controla o poder, apesar de oficialmente não ter um cargo político.

Para o analista Matthew Bryza, do "think tank" americano Atlantic Council, a Geórgia chegou a um ponto em que "os partidos de oposição afirmam que não podem mais atuar no Parlamento porque o sistema democrático está quebrado".

"Sem uma mediação maior do Ocidente, a situação pode se tornar muito perigosa", opina o ex-diplomata.

No poder desde 2012, o partido Sonho Georgiano perdeu popularidade em um cenário de estagnação econômica e de ataques aos princípios democráticos.

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