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Corpos do embaixador italiano e de seu segurança são repatriados da RDC

23/02/2021 17h16

Kinshasa, 23 Fev 2021 (AFP) - Os corpos do embaixador italiano Luca Attanasio e de seu segurança Vittorio Iacovacci, assassinados em um ataque no leste da República Democrática do Congo (RDC), foram repatriados nesta terça-feira (23) de Goma para a Itália, observaram jornalistas da AFP.

Os corpos chegaram em caixas metálicas em veículos da Missão das Nações Unidas na RDC (Monusco), e foram colocados em um galpão envolvidos na bandeira italiana.

Antes, as autoridades provinciais e militares de Kivu Norte assistiram a uma cerimônia sóbria e moderada, informou a Presidência da RDC.

Em Kinshasa, o presidente Félix Tshisekedi e sua esposa Denise Nyakeru foram para a residência do embaixador fazer uma "visita de luto" à sua viúva e seus três jovens filhos.

Em Roma, o papa Francisco enviou uma mensagem de condolências ao presidente italiano Sergio Mattarella, lamentando o "trágico ataque". O pontífice destacou as "qualidades humanas e cristãs" do embaixador e descreveu os dois italianos mortos como "servos da paz e da lei".

As autoridades congolesas acusaram na segunda-feira os rebeldes das Forças Democráticas de Libertação de Ruanda (FDLR) que opera há cerca de 20 anos na região pelo assassinato na dos dois italianos e um motorista congolenho, Mustafa Milambo, nessa perigosa região do leste do país.

Attanasio, de 43 anos, morreu junto a Iacovacci e o motorista na segunda-feira em uma emboscada a um comboio do Programa Mundial de Alimentos (PMA), perto de Goma.

Tshisekedi classificou o ataque como "terrorista".

- Esclarecer os fatos -Os insurgentes rejeitaram a acusação nesta terça-feira e apontaram para os exércitos congolês e ruandês.

"O comboio do embaixador foi atacado em uma zona denominada 'três antenas', perto de Goma, na fronteira com Ruanda, perto de uma posição das FARDC (Forças Armadas da RDC) e de militares ruandeses das Forças de Defesa de Ruanda", afirma o comunicado das FDLR.

"A responsabilidade por este assassinato vil deve ser procurada nas fileiras dos dois exércitos e de seus patrocinadores, que formaram uma aliança não natural para perpetuar o saque do leste da RDC", acusam as FDLR.

Por isso, os rebeldes hutus ruandeses "exigem" que as autoridades congolesas e a MONUSCO (a missão da ONU na RDC) esclareçam as responsabilidades do assassinato, "ao invés de recorrer a acusações precipitadas".

As FDLR foram criadas no início dos anos 2000 por rebeldes hutus ruandeses, alguns dos quais participaram do genocídio dos tutsis de abril a julho de 1994 na vizinha Ruanda, antes de se refugiarem no leste da RDC.

- Disparos para o alto -O comboio foi emboscado a três quilômetros de seu destino por seis desconhecidos, armados com cinco armas do tipo AK-47 e um facão, segundo a presidência congolesa.

"Eles dispararam para o alto e obrigaram os ocupantes dos veículos a sair e a segui-los até o parque (de Virunga), depois de abaterem um dos motoristas, para gerar pânico", acrescentou a presidência.

Alertados, guardas florestais e soldados congoleses presentes nas redondezas começaram a perseguir os agressores. "A 500 metros (do local do ataque) os sequestradores atiraram à queima-roupa contra o guarda-costas, que morreu no local, e contra o embaixador, ferindo-o no abdômen", segundo a mesma fonte.

Luca Attanasio "morreu devido aos ferimentos" depois de ser transferido para um hospital de Goma, disse à AFP uma fonte diplomática em Kinshasa.

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