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América Latina compartilha caminho sem volta para digitalização completa

23/02/2021 01h05

Cidade do México, 22 fev (EFE).- Empresas e governos latino-americanos discutiram nesta segunda-feira a necessidade urgente de realizar uma transformação digital completa e inclusiva para fortalecer o desenvolvimento econômico e evitar que a região perca a oportunidade de se juntar à atual revolução industrial.

Representantes de governos, organizações internacionais e empresas concordaram no fórum virtual "Conectividade para a prosperidade compartilhada: o motor essencial da economia digital", organizado pela Agência Efe e a multinacional chinesa Huawei, que a pandemia da covid-19 acelerou as necessidades da nova economia digital.

A vice-presidente sênior da Huawei, Catherine Chen, abriu o evento pedindo "um verdadeiro consenso sobre a tecnologia" e seu uso adequado em todo o mundo para avançar no desenvolvimento tecnológico sem disputas nem polêmicas.

"As barreiras ideológicas estão tentando deter o desenvolvimento tecnológico, e isso só vai deter o progresso e o desenvolvimento. Por isso, é muito importante chegar a um consenso", declarou a vice-presidente.

Chen, que também é diretora do Conselho de Administração da Huawei, destacou que esse consenso global sobre a evolução tecnológica é fundamental para atingir as Metas de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas.

A diretora citou as percepções que apontam a tecnologia 5G como "uma plataforma de alto risco", antes da qual ela garantiu que é uma tecnologia com "grande largura de banda, baixa latência e conectividade que pode aumentar os benefícios para a sociedade".

CONECTIVIDADE NA AMÉRICA LATINA.

O Diretor de Tecnologia e Engajamento Estratégico da Groupe Speciale Mobile Association (GSMA) América Latina, Alejandro Adamowicz, disse que só em 2020, quando "o tráfego de rede cresceu até 50% em alguns casos", a indústria móvel gerou 7% do Produto Interno Bruto (PIB) da região.

Ele acrescentou que cerca de US$ 99 bilhões em investimentos em infraestrutura móvel estão comprometidos na América Latina e no Caribe durante os próximos cinco anos.

Por sua vez, o diretor regional do Escritório das Américas da União Internacional de Telecomunicações (ITU), Bruno Ramos, considerou que a pandemia da Covid-19 mostrou que os países mais avançados da economia digital estão mais bem preparados para sair da atual crise global.

Dada a necessidade de impulsionar a digitalização e reduzir a divisão digital para alavancar a economia, a região enfrenta o desafio de aumentar a conectividade da internet nas áreas rurais e urbanas.

O Ministro dos Transportes e Comunicações do Peru, Eduardo Gonzalez, disse durante o fórum que seu país "desenvolveu a conectividade", embora apenas 8,2% das residências em áreas rurais tenham acesso a internet fixa, uma porcentagem significativamente menor do que 41% das áreas urbanas.

Enquanto isso, o assessor econômico da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), Fernando Rojas, informou que 46% das crianças da América Latina e do Caribe entre 5 e 12 anos de idade vivem em lares que não estão conectados.

A diretora geral de telecomunicações do México, Rocío Mejía, reconheceu que no país da América do Norte também há muitos atrasos compartilhados com os peruanos em termos de conectividade, algo que "em tempos de pandemia está se tornando cada vez mais relevante".

Mejía pediu a utilização dessas plataformas para melhorar o acesso à educação, contribuir para a convivência social, facilitar a implementação de serviços de saúde e aproximar os serviços sociais e governamentais da população.

USO DE NOVAS FORMAS DIGITAIS.

O governador de Goiás, Ronaldo Caiado, destacou os benefícios da tecnologia e do 5G para a agricultura e o setor pecuário, pois ela pode ajudar estas indústrias a crescer enquanto "preserva o ecossistema e melhora o produto para o consumidor".

Caiado declarou que em Goiás "experimentos estão sendo realizados para ver como aumentar a produtividade, reduzir custos e ver como usar cada vez menos herbicidas e pesticidas para cuidar do meio ambiente" graças a tecnologias desenvolvidas por entidades privadas, como a Huawei, e instituições acadêmicas.

O presidente do Instituto Federal de Telecomunicações do México (IFT), Adolfo Cuevas, vê o fato de que o 5G e a revolução que ele traz como um marco que devem ser aproveitados na América Latina o mais rápido possível.

"O erro de não aceitar esta mudança que o 5G nos traz seria como se no século XIX tivéssemos dito que a ferrovia era algo bom, mas não a aplicaríamos", comparou.

O assessor do governo do Chile José Guridi comentou que "a transformação digital é rápida, é transversal e obrigatória, especialmente agora depois da pandemia".

Para isso, o diretor de Estratégia e Marketing da Huawei na América Latina, Joaquín Saldaña, pediu investimentos em políticas públicas voltadas para a tecnologia e falou sobre "a questão da capacitação em habilidades tecnológicas" tanto dos usuários finais quanto dos "profissionais que estão encarregados dessas transformações".

O vice-presidente regional de relações públicas da multinacional, César Funes, enfatizou que a tecnologia digital permitiu "manter o mundo funcionando, as famílias ligadas e as empresas abertas em um ano tão difícil quanto 2020".

"Tecnologias como 5G, nuvem e dispositivos inteligentes estão acelerando a transformação digital das indústrias e da vida cotidiana", enalteceu Funes ao encerrar o fórum, sempre com "uma visão justa e aberta para impulsionar a cooperação tecnológica".

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