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"Eu não sei o que nos aguarda", diz prefeito de Porto Velho

O prefeito de Porto Velho, Hildon Chaves - Divulgação
O prefeito de Porto Velho, Hildon Chaves Imagem: Divulgação
do UOL

Carlos Madeiro

Colaboração para o UOL, em Maceió

26/01/2021 04h00

O prefeito de Porto Velho, Hildon Chaves (PSDB), afirmou em entrevista ontem ao UOL que recebeu o alerta de gestores da área de saúde da explosão de casos de covid-19 quando já havia uma saturação nos atendimentos na rede de saúde e a cidade já criava fila de espera para atendimento.

"O sinal de alerta chegou muito perto do colapso, veio na sexta-feira (22) à noite. No sábado concedemos aquela entrevista coletiva [anunciando o colapso], e no domingo já se iniciaram as tratativas desse apoio do translado de pacientes. Não tive tempo de apurar se demoraram a me passar a realidade ou não", afirma.

A situação na cidade, garante, não está como no vizinho Amazonas.

A gente não chegou ao ponto de morrer gente na rua, não. Mas se nada for feito, é possível que chegue a isso. As providências estão sendo tomadas. A situação veio se agravando, agravando, agravando, e a gente esperando uma melhora até chegar no que está nesse ponto."

"Lá pelo mês de novembro todo mundo acreditava que o negócio estava acabando, e aí depois do Natal a coisa começou de novo e maior em intensidade", completa.

Ele admite que, caso a situação da capital de Rondônia se agrave por conta da tendência de alta de casos da covid-19, serão dias difíceis para todos os moradores.

É um sentimento de muita apreensão. Nós estamos tomando as medidas que são possíveis, mas estamos muito preocupados. Eu não sei o que nos aguarda. Espero que as medidas adotadas [de isolamento social] surtam o efeito necessário."

Pior que na primeira onda

Chaves conta ainda ao UOL que a situação atual da cidade é bem mais crítica que na primeira onda.

"Nós passamos a primeira onda e conseguimos conduzir o trabalho, não chegamos ao ponto em que chegamos aqui. Esse crescimento agora foi praticamente de janeiro para cá. Talvez seja reflexo dos excessos das festas de final de ano. Não tivemos nenhuma comemoração oficial, mas estavam liberados shows, boates, festas; e a população exagerou um pouco, baixou a guarda, e rapidamente toda rede lotou", diz.

Agora, diz, os hospitais de Porto Velho estão cheios de pessoas de outras cidades.

Na primeira onda tivemos um número muito grande na capital e agora temos muitos casos no interior. Muita gente vindo do sul do Amazonas. Humaitá, por exemplo, são três dias de barco para Manaus; melhor vir para cá."

A esperança do prefeito é que as medidas de isolamento decretadas pelo governo do estado façam efeito rápido, já que o número de casos e buscas por unidades de saúde ainda seguem em alta.

"Foi editado um decreto no estado há nove dias, com toque de recolher das 20h às 6h, pelo prazo de dez dias. Acredito que ele deva ser reeditado. O problema é que, se a pessoa foi contagiada há dois ou três dias, ela vai aparecer na UPA amanhã ou depois de amanhã, ela já está contaminada. Se nós conseguimos diminuir a taxa de contaminação, a situação se resolve por si só dentro de alguns dias", diz.

Por fim, Chaves assegura que a prefeitura está tentando preparar a rede para atender os pacientes que chegarem — mas isso tem um limite.

A gente tem [estrutura], mas isso depende do tamanho da bronca. Não tem rede de saúde que consiga, se a coisa sair de controle, dar conta. A quantidade de leitos que tínhamos de UTI foi aumentada três vezes, e deu certo na primeira onda. Agora não está dando conta."

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