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Biden tenta promover o 'made in America' desejado por Trump

25/01/2021 20h30

Washington, 25 Jan 2021 (AFP) - O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, assinou nesta segunda-feira (25) uma decreto priorizando empresas e produtos americanos em contratos com o governo federal, apesar do risco de desagradar parceiros comerciais como o Canadá, anunciaram os responsáveis pelo novo governo.

"Podemos criar mais empregos" na indústria fabril, disse Biden em entrevista coletiva. "Não aceito a ideia de que a vitalidade do setor manufatureiro dos Estados Unidos seja coisa do passado."

O Buy American Act de 1933, ainda em vigor, exige que as agências federais priorizem a compra de bens produzidos em solo americano, mas existem inúmeras exceções e oportunidades de isenção, conforme denunciado há muito tempo por pequenas e médias empresas.

Alguns produtos são, portanto, registrados com o selo "Fabricado nos Estados Unidos", embora a maioria de seus componentes seja de fora.

O governo federal gasta aproximadamente 600 bilhões de dólares anualmente com a segurança do país. "Precisamos garantir que esse dinheiro vá para as empresas americanas", afirmou Biden.

O novo inquilino da Casa Branca retoma, assim, um tema favorito de seu antecessor, Donald Trump.

As novas disposições poderiam irritar, no entanto, aliados e parceiros estratégicos dos Estados Unidos, como Canadá e países europeus, que já consideravam que a legislação impedia o acesso de suas empresas a algumas licitações do governo americano.

Biden também observou que, após quatro anos de política comercial protecionista de Trump, este não é o momento para liberalização total.

O chanceler canadense já alertou Washington contra a disposição, segundo a mídia local.

"É claro que, se descobrirmos que a política de 'Buy American' é prejudicial aos nossos negócios, vamos tornar público", disse Marc Garneau na CBC, destacando que "o presidente Biden indicou que estaria disposto a nos ouvir sempre que houve preocupações."

A vice-primeira-ministra do Canadá, Chrystia Freeland, disse que "o diabo está frequentemente nos detalhes", enfatizando que o governo canadense trabalhará em prol de uma relação comercial bilateral equilibrada e "benéfica para todos".

Biden disse que os Estados Unidos estão empenhados em trabalhar com seus parceiros comerciais "para modernizar as regras do comércio internacional, incluindo aquelas relacionadas às compras governamentais", para que o dinheiro do contribuinte estimule investimentos que promovam o crescimento e "cadeias de abastecimento resilientes".

O apoio à indústria americana não é surpresa, foi uma das promessas eleitorais de Biden, que precisou convencer o eleitorado-base de seu antecessor.

Menos de uma semana após sua posse, o presidente democrata continua a desenvolver suas prioridades antes mesmo da confirmação de toda sua equipe de governo.

- Evitar una guerra comercial -O decreto de Biden segue uma estratégia para incentivar o estado federal a comprar mais produtos americanos traçada por Trump. O ex-presidente transformou os direitos alfandegários em uma arma contra as importações, com resultados mistos.

Mas, em vez de uma guerra comercial com outros países, Biden está focado em endurecer as regras para a "compra de produtos americanos", graças ao poder econômico do governo federal.

Durante sua campanha eleitoral, prometeu fortalecer a ideia de comprar mais produtos locais com um plano de 400 bilhões de dólares para projetos que utilizem produtos fabricados nos Estados Unidos, como aço ou equipamentos de proteção para trabalhadores de saúde que lutam contra a covid-19.

Após a eleição, o presidente disse que o governo federal compraria carros americanos e outros produtos.

No entanto, as empresas já alertaram que regulamentações excessivamente restritivas podem aumentar os custos, dificultando a compra de peças produzidas fora dos Estados Unidos.

A ordem executiva também deve ser vista como parte do "compromisso do presidente em investir na indústria americana, incluindo energia limpa e redes de suprimentos básicos", disse um funcionário.

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