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Por vestibular, Israel começa a vacinar adolescentes mesmo sem pesquisa

6.jan.2021 - Homem é vacinado contra o novo coronavírus em centro de vacinação drive-through em Haifa, Israel - Ammar Awad/Reuters
6.jan.2021 - Homem é vacinado contra o novo coronavírus em centro de vacinação drive-through em Haifa, Israel Imagem: Ammar Awad/Reuters
do UOL

Do UOL, em São Paulo*

24/01/2021 09h43

De olho no vestibular e na volta às aulas, Israel iniciou ontem (23) a vacinação de adolescentes contra a covid-19. A medida é polêmica porque não há pesquisas em fase 3 da vacina para menores de 18 anos.

O Ministério da Saúde anunciou na quinta-feira que iria permitir a vacinação de alunos do ensino médio com idades entre 16 e 18 anos mediante aprovação dos pais.

Diretor-geral do Ministério da Saúde, Hezi Levy admitiu a uma rádio local que ainda não se tem muita informação sobre a vacinação em jovens, mas que os possíveis efeitos colaterais serão inferiores às vantagens da vacinação.

"Esta vacina não é diferente das vacinas contra outras doenças virais", disse Levy. "E já foi testada com sucesso."

No Brasil e em boa parte do mundo a vacinação para esse público é proibida —assim como para gestantes— porque até o momento não há indicação de uso no estudo de fase 3. Os pesquisadores priorizaram a pesquisa entre adultos porque crianças e jovens são menos suscetíveis ao novo coronavírus.

Segundo o governo, a medida busca permitir que os adolescentes voltem às aulas com mais segurança e possam prestar vestibular.

Ninguém vacinou mais

De acordo com dados do site Our World in Data, ligado à Universidade de Oxford, na Inglaterra, Israel é líder mundial na campanha de vacinação em todo o mundo. Autoridades sanitárias dizem que 2,5 milhões de habitantes já receberam a primeira dose da vacina Pfizer-BioNTech em Israel, um quarto da população. Outros 900 mil já receberam as duas. Ninguém vacinou mais proporcionalmente.

A expansão da campanha para incluir adolescentes ocorre dias depois de Israel aumentar seu terceiro bloqueio nacional na terça-feira por causa de um aumento nas infecções pelo novo coronavírus. Desde sábado, os viajantes que retornam do exterior para Israel devem apresentar um teste PCR negativo no aeroporto.

No domingo, 24, de acordo com o Canal 13, o governo deve baixar norma para aumentar as multas para quem e desafiar os regulamentos de saúde. As multa para empresas que abrirem em desrespeito às regras dobrará de US$ 1,5 mil (R$ 8,2 mil) para US$ 3 mil (R$ 16,4 mil). A multa para infrações a quem realizar festas ou casamentos será fixada em US$ 6 mil (R$ 32,8 mil).

As maiores taxas de infecção continuam a ser registradas entre comunidades judaicas ultraortodoxas, relutantes desde o início de pandemia para cumprir as medidas de distanciamento social. A polícia israelense interveio nos últimos dias em algumas congregações da comunidade - houve registro de confrontos com as forças de segurança.

O maior sistema público de saúde do país, o Clalit, começou a vacinar adolescentes no sábado pela manhã. Os outros três deveriam iniciar sua campanha nos próximos dias.

Israel começou a vacinação em 20 de dezembro com profissionais de saúde, grupos de idosos, doentes e pacientes em risco. Desde ontem, pessoas com 40 anos ou mais também podem tomar a vacina.

Gili Regev, diretor do Centro Médico Sheba, disse ao Canal 12 que Israel tem de vacinar mais de 75% da população para obter a imunidade de rebanho. "Estamos muito longe do fim desta pandemia", disse.

No sábado, o Ministério da Saúde informou que 7.316 novos casos foram confirmados no dia anterior, após um pico de mais de 10,1 mil no início da semana. O número total de infecções registradas em Israel era de 593.578 até ontem, com quase 4,3 mil mortes.

A queda nos registros de casos diários veio conforme os níveis de teste também diminuíram - embora a taxa de teste positivo tenha caído para 8,8%.

O primeiro-ministro Benyamin Netanyahu disse que a rápida campanha de vacinação dará ao país "a possibilidade de superar o coronavírus, de sair dele, de abrir a economia e devolver a vida à rotina".

No sábado, o embaixador russo em Israel, Anatoly Viktorov, afirmou que os dois países discutem a produção conjunta de uma vacina contra o coronavírus. O Centro Médico Hadassah de Israel encomendou 1,5 milhão de doses da vacina russa Sputnik V, mas ainda aguarda a aprovação do Ministério da Saúde.

*Com Estadão Conteúdo e agências internacionais

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