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Falta de medicamento para hanseníase faz dermatologistas acionarem laboratório

Sociedade Brasileira de Dermatologia pede explicação sobre desabastecimento de remédios para hanseníase  - SAULO ANGELO/FUTURA PRESS/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO
Sociedade Brasileira de Dermatologia pede explicação sobre desabastecimento de remédios para hanseníase Imagem: SAULO ANGELO/FUTURA PRESS/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

Redação, O Estado de S.Paulo

Brasília

21/01/2021 18h32Atualizada em 26/01/2021 16h11

A Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) decidiu acionar o laboratório Novartis, principal fornecedor de medicamentos utilizados para a hanseníase no País, e pedir explicações sobre o desabastecimento de drogas usadas no tratamento da doença no Brasil.

Em nota, a SBD esclarece que o problema começou há três meses, quando serviços que atendem pacientes com essa doença passaram a relatar a falta do medicamento. Dessa forma, terapias que estavam em andamento e que precisavam ter continuidade estão sendo interrompidas e casos novos diagnosticados não estão começando o tratamento. A hanseníase é tratada de graça dentro da rede pública com conjunto de medicamentos com custo muito baixo de produção.

Cinco dias após a publicação desta matéria, o laboratório Novartis afirmou que o desabastecimento ocorreu para atender uma mudança feita na produção atendendo novas regras impostas pela FDA (Food and Drug Administration, agência reguladora de medicamentos e alimentação nos EUA) e afirmou que o medicamento já foi enviado ao Brasil (leia a nota na íntegra no final desta matéria).

No ano passado, em uma reunião pública realizada pela Coordenadoria Geral de Doenças em Eliminação (CGDE) do Ministério da Saúde, foi feito o alerta de que haveria redução dos estoques dos medicamentos, motivada por dificuldades de logística de transporte das drogas e falta de insumos básicos para sua produção em nível global. Os remédios para a hanseníase são fabricados na Índia. Apesar dessas justificativas, ressalta a SBD, não há relatos de situações semelhantes na maioria dos países.

"Para o Brasil, essa situação é muito preocupante. Há milhares de pacientes que aguardam a entrega dessas cartelas para darem seguimento aos seus tratamentos. Além disso, todos os anos, em média, 30 mil novos casos são diagnosticados e passam a depender dessa assistência por meio do SUS. Por isso, é preciso encontrar uma solução imediata", disse o vice-presidente da SBD, Heitor de Sá Gonçalves.

O laboratório Novartis é o principal fornecedor do produto para o SUS e em nível internacional. A SBD quer que o laboratório dê informações precisas sobre sua capacidade de retomar o fornecimento de medicamentos para hanseníase ao serviço público brasileiro.

"Estamos no Janeiro Roxo, mês dedicado à prevenção e ao tratamento precoces da hanseníase. Esse é um cenário inadequado e que elimina a possibilidade de comemorações. Ao invés de festejarmos queda nos indicadores de contaminação dessa doença milenar, nos vemos diante da falta de medicamentos que podem trazer cura e segurança para pacientes e familiares. Esperamos logo superar esse desafio", alertou Mauro Enokihara, presidente da SBD por meio de nota. Dia 31 de janeiro é a Data Mundial da Luta contra a Hanseníase.

Números da hanseníase no Brasil

Nos últimos 10 anos, o Brasil registrou 312 mil casos novos de hanseníase, segundo dados da SBD. Isso coloca o País no segundo lugar do ranking mundial da doença.

A hanseníase, no Brasil, está mais presente em áreas com menores indicadores de desenvolvimento humano (IDH). O Nordeste concentra o maior número de casos novos detectados ao longo da última década (43% do total). Em seguida, o Centro-Oeste com 20% dos casos dos últimos 10 anos, o Norte (19%) e o Sudeste (15%). Apenas 4% dos novos pacientes identificados com a doença na última década estão no Sul do País.

Outro lado

Cinco dias após a publicação desta reportagem, a Novartis divulgou uma nota para explicar o atraso e informar que já houve o embarque do medicamento ao Brasil. Leia abaixo a nota na íntegra

A Novartis, comprometida com o combate e tratamento de doenças negligenciadas como a hanseníase, informa que precisou verificar a adequação da produção do medicamento poliquimioterapia (PQT), distribuído gratuitamente à Organização Mundial da Saúde (OMS), em razão das novas diretrizes de padrão e limite toxicológico de qualidade impostos pelo FDA (Food and Drug Administration - agência reguladora dos EUA). Esse processo atrasou o embarque para o Brasil, mas o mesmo já foi solucionado.

Entendendo a necessidade do medicamento para o tratamento da doença no Brasil, a Novartis tem colaborado com o Ministério da Saúde para encontrar soluções logísticas junto à OMS que possam suprir essa demanda. A Novartis entregou ao Ministério da Saúde do Brasil mais de 145 mil blisters em 2020 e outros 51 mil blisters em janeiro de 2021. Há, ainda, 103 mil blisters adicionais aguardando a aprovação da autoridade sanitária para o embarque até março de 2021. A Novartis vem também tratando com a OMS sobre a possibilidade de fornecimento de quantitativos adicionais às estes e à programação regular de entrega anual aos países aderentes ao programa.

Reforçamos que a doação e o abastecimento da Novartis para a OMS continuam sendo realizados normalmente há mais de 20 anos. Além disso, a Carreta Novartis da Saúde, iniciativa da Novartis do Brasil e única no mundo, disponibilizada ao Ministério da Saúde e em parceria com este, há 10 anos é um dos principais projetos para erradicar a hanseníase no Brasil e peça central no Projeto Roda-Hans do MS. Já passou por cerca de 500 municípios (18 estados), realizou mais de 70 mil atendimentos gratuitos e foi responsável por cerca de 25% de todos os diagnósticos realizados no país em 2018. A Carreta Novartis da Saúde tem contribuído para a capacitação de profissionais de forma a manter o conhecimento sobre diagnóstico e tratamento da hanseníase onde mais interessa: nos municípios

(Equipe AE)

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