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Covid-19 ataca neurônios de infectados, aponta estudo franco-americano

21/01/2021 13h18

Um estudo franco-americano mostra como a Covid-19 ataca os neurônios das pessoas contaminadas. O jornal Le Figaro desta quinta-feira (21) detalha os pontos principais da pesquisa, publicada inicialmente no Journal of Experimental Medicine.

Um estudo franco-americano mostra como a Covid-19 ataca os neurônios das pessoas contaminadas. O jornal Le Figaro desta quinta-feira (21) detalha os pontos principais da pesquisa, publicada inicialmente no Journal of Experimental Medicine.

Os pesquisadores americanos e franceses tentaram entender os sintomas estranhos, observados em pacientes hospitalizados no início da pandemia: dor de cabeça, desorientação, demência, convulsão, movimentos anormais. Imagens de ressonância magnética indicaram a existência de lesões vasculares no cérebro, e isso começou a intrigar os especialistas, lembra Nicolas Renier, do Instituto do Cérebro de Paris e coautor do estudo, nas páginas do diário.

Mas a hipótese de que as lesões fossem provocadas pelo vírus precisava ser confirmada cientificamente. Inicialmente, os cientistas fizeram testes de laboratório e tiveram a surpresa de descobrir que os neurônios humanos são particularmente sensíveis ao vírus. Em seguida, eles analisaram o cérebro de três pessoas mortas pela Covid e confirmaram a presença do coronavírus.

"Fábricas de vírus"

O virologista francês Yannick Simonin, da Universidade de Montpellier, ressalta a importância desse estudo. Ele diz que a capacidade dos coronavírus infectarem o sistema nervoso central era conhecida, mas esta é a primeira vez que se descobre que eles são capazes também de infectar algumas células, como os neurônios.

No entanto, os cientistas ainda não conseguiram descobrir como o vírus consegue entrar no cérebro. Por enquanto, eles sabem que, ao serem infectados, os neurônios se transformam em verdadeiras "fábricas do vírus", provocando a morte de células vizinhas. Os pesquisadores também detectaram a existência de uma desordem nos vasos sanguíneos, que poderia levar potencialmente à formação de coágulos.

Apesar disso, eles tentam tranquilizar os pacientes. O estudo mostra que o vírus pode ser encontrado no cérebro, mas não podemos afirmar que ele destrói ou provoca acidentes vasculares cerebrais nos infectados, afirma Yannick Simonin.

Ataque sistêmico

Outros fatores poderiam também estar na origem dos sintomas neurológicos observados nos doentes de Covid-19, como a quantidade de oxigênio insuficiente, a febre, os remédios ou a inflamação, estima a médica Clémence Marois, do Hospital Pitié-Salpêtrière de Paris. Ela explica ao Le Figaro ter a impressão que as complicações neurológicas observadas com a Covid-19 são provocadas principalmente pelo ataque sistêmico do vírus e não por uma carga direta contra o cérebro.

A médica afirma que fora o estresse pós-traumático ou algum problema de concentração vivido por algumas pessoas, globalmente os pacientes que tiveram que ser reanimados e sobreviveram à doença passam bem. "Temos que ser otimistas, mesmo se ainda não temos todos os resultados da pesquisa", afirma.

Sequelas psiquiátricas

No entanto, as sequelas psiquiátricas são frequentes e os psiquiatras estão preocupados com o aumento da depressão e da ansiedade em pacientes que enfrentaram a doença. Um estudo, realizado entre janeiro e agosto de 2020 nos Estados Unidos, sugere que 20% dos 62 mil contaminados identificados desenvolveram nos 90 dias que se seguiram ao diagnóstico sintomas de ansiedade ou insônia.

Um terço desses pacientes nunca tinha sofrido antes de problemas psíquicos. Os psiquiatras pedem que os efeitos colaterais da Covid-19 não sejam subestimados, e que as sequelas psíquicas sejam tratadas rapidamente para não se transformarem em doenças crônicas, aponta Le Figaro.

 

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