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Em 1ª reunião de 2021, BC decide manter juros em 2% ao ano

Getty Images
Imagem: Getty Images
do UOL

Do UOL, em São Paulo

20/01/2021 18h35Atualizada em 21/01/2021 10h35

O Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central decidiu hoje, por unanimidade, manter a taxa básica de juros da economia (Selic) em 2% ao ano, apesar da alta de preços nos últimos meses. Os juros continuam no menor patamar desde o início da série histórica, em 1996.

Foi a primeira reunião de 2021 e a quarta seguida sem mudanças na Selic. A manutenção dos juros em níveis tão baixos vem ainda na esteira das preocupações sobre os efeitos do coronavírus no Brasil e no mundo — em especial, das novas variantes que vêm sendo identificadas —, e a permanência da taxa em 2% era esperada por analistas.

Quanto à economia brasileira, especificamente, o Copom avaliou que indicadores referentes ao final do ano passado "têm surpreendido positivamente", mas não a ponto de compensar a recente alta no número de casos de covid-19 no país.

Além disso, "a incerteza sobre o ritmo de crescimento da economia permanece acima da usual, sobretudo para o primeiro trimestre deste ano, concomitantemente ao esperado arrefecimento dos efeitos dos auxílios emergenciais", disse o comitê em ata.

Mudança no comunicado

Mas o Banco Central fez uma mudança importante no comunicado que costuma soltar após os encontros, retirando um termo técnico chamado de "forward guidance". Traduzindo, é como se o BC retirasse a promessa de não elevar juros. A partir de agora, as taxas poderão subir se as condições da economia, analisadas até o próximo encontro do Copom (em 16 e 17 de março) justificarem esse movimento.

"Segundo o forward guidance adotado em sua 232ª reunião, o Copom não reduziria o grau de estímulo monetário desde que determinadas condições fossem satisfeitas. Em vista das novas informações, o Copom avalia que essas condições deixaram de ser satisfeitas já que as expectativas de inflação, assim como as projeções de inflação de seu cenário básico, estão suficientemente próximas da meta de inflação para o horizonte relevante de política monetária. Como consequência, o forward guidance deixa de existir e a condução da política monetária seguirá, doravante, a análise usual do balanço de riscos para a inflação prospectiva", escreveu o Banco Central em nota.

Isso não significa que as taxas de juros vão começar a aumentar imediatamente, mas é um sinal de que o Banco Central está preocupado e está pensando em tornar a política monetária menos estimulativa em algum momento já do primeiro semestre deste ano.
José Márcio Camargo, professor da PUC-Rio e economista-chefe da Genial Investimentos

Juros x inflação

Os juros são usados pelo BC como uma ferramenta para tentar controlar a inflação ou tentar estimular a economia. De modo geral, quando a inflação está alta, o BC sobe os juros para reduzir o consumo e forçar os preços a cair. Quando a inflação está baixa, o BC derruba os juros para estimular o consumo.

A meta de 2021 é manter a inflação em 3,75%, mas há uma tolerância de 1,5 ponto percentual para cima e para baixo, ou seja: pode variar entre 2,25% e 5,25%. No ano passado, a inflação fechou em 4,52%, a maior desde 2016 (6,29%) e acima do centro da meta do governo para 2020 (4%).

O índice de dezembro deste ano, o último divulgado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), ficou em 1,35%, a alta mensal mais forte desde fevereiro de 2003 (1,57%) e a maior para dezembro desde 2002 (2,10%).

De 14,25% a 2% em 4 anos

Em outubro de 2016, o BC deu início a uma sequência de 12 cortes na Selic. Neste período, a taxa de juros caiu de 14,25% ao ano para 6,5% ao ano. De maio de 2018 até junho de 2019, a taxa foi mantida no mesmo patamar. Foram dez encontros do Copom sem mudanças na Selic.

No final de julho do ano passado, porém, o Copom reduziu a Selic em 0,5 ponto percentual, para 6% ao ano. Em dezembro, a taxa já estava em 4,5% ao ano.

Em 2020, foram cinco cortes consecutivos: em fevereiro, de 4,5% para 4,25%; em março, para 3,75%; em maio, para 3%; em junho, para 2,25%; em agosto, enfim, para 2% ao ano — patamar mantido nas quatro reuniões seguintes, incluindo a desta semana.

Juros ao consumidor são mais altos...

A Selic é a taxa básica da economia e serve de referência para outras taxas de juros (financiamentos) e para remunerar investimentos corrigidos por ela. Ela não representa exatamente os juros cobrados dos consumidores, que são muito mais altos.

... E poupança rende menos

Com os juros baixos, a poupança rende menos devido a uma regra criada em 2012. Quando a Selic está acima de 8,5% ao ano, a rentabilidade da poupança é de 6,17% ao ano (0,5% ao mês) mais TR (Taxa Referencial). Porém, quando a Selic é igual ou menor que 8,5%, a poupança passa a render 70% da Selic mais TR.

(Com agências de notícias)

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