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Premier italiano obtém confiança do Senado, mas perde maioria absoluta

19/01/2021 20h55

Roma, 19 Jan 2021 (AFP) - O primeiro-ministro italiano, Giuseppe Conte, obteve, nesta terça-feira (19), a confiança do Senado, mas perdeu a maioria absoluta, com a qual seu governo sai claramente debilitado para enfrentar a pandemia.

Com 156 votos a favor e 140 contra, sobre os 161 necessários para a maioria absoluta, o governo de coalizão entre o Movimento 5 Estrelas (M5E, antissistema) e o Partido Democrático (PD, centro-esquerda) evita sua queda por enquanto.

Conte perdeu o apoio do pequeno, mas importante partido Itália Viva do ex-primeiro-ministro Matteo Renzi, que se absteve junto com outros 16 senadores.

Seu Executivo, apoiado por uma maioria relativa, está agora muito vulnerável aos ataques da oposição de direita em um momento difícil para o país, atingido pela pandemia que já tirou a vida a mais de 82.000 pessoas.

O chefe do Executivo, que superou amplamente a confiança da Câmara dos Deputados na segunda-feira, não terá que renunciar após a apertada votação no Senado, já que as regras lhe garantem governar com relativa maioria.

A contagem foi marcada por protestos e atrasos devido ao encerramento da votação antes do previsto e e a presidência do Senado precisou verificar os dados.

Desde 1946, a Itália teve 29 primeiros-ministros e 66 governos.

Giuseppe Conte governou primeiro com uma coalizão entre o antissistema do M5E e a Liga (direita), de junho de 2018 a setembro de 2019, para depois formar um novo governo com o M5E, o PD e outros partidos menores, como o Itália Viva de Renzi.

"Sem números suficientes, vou para casa", disse Conte antes da votação, acusado pela oposição de oferecer cargos aos desertores para permanecer no poder.

- Um Executivo frágil-"O resultado desta votação não põe fim à crise política" na Itália, disse Wolfgango Piccoli, da consultoria Teneo, pouco antes da votação.

"Será difícil para uma coalizão tão fraca e complexa tirar a Itália da crise econômica mais profunda que ela já enfrentou desde a Segunda Guerra Mundial em meio a uma pandemia", acrescentou.

Conte agora deve consultar o Presidente da República, Sergio Mattarella, sobre a viabilidade de um Executivo tão frágil.

"O objetivo agora é trabalhar por uma maioria mais sólida", tuitou Conte com um otimismo surpreendente.

Fontes do PD enfatizaram que "o pior" foi evitado e defenderam trabalhar agora para "garantir um governo que dure todo o mandato."

"Um governo 'piccolo, piccolo' [pequeno, pequeno]", foi a manchete do jornal La Repubblica, ao retratar a complexa situação política na Itália.

"Tanto Conte quanto Renzi estão enfraquecidos. Agora é necessário um pacto legislativo", comentou o diretor do jornal Maurizio Molinari ao canal RaiNews24.

Renzi questionou a liderança de Conte em uma Itália que deve enfrentar uma série de desafios importantes, desde presidir o G20 este ano até determinar nos próximos meses o destino dos mais de 209 bilhões de euros que receberá da União Europeia para a reconstrução do país após a pandemia.

Para os observadores, inicia-se uma fase de negociações e diálogo, inclusive com Renzi, para aprovar algumas medidas-chave e encontrar uma solução mais sólida com alguns setores da direita moderada do Força Itália, partido do ex-magnata Silvio Berlusconi.

Já a oposição, liderada pelos ultradireitistas Matteo Salvini (Liga) e Giorgia Meloni (Irmãos da Itália), anunciou no final da votação que vai pedir a renúncia do Executivo ao Presidente da República, o único que pela Constituição pode convocar eleições antecipadas.

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