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Posse de Biden: Arredores da Casa Branca ganham ares de Bagdá, com "zona verde" tomada por militares

18/01/2021 15h57

Com militares nas ruas, cercas de arame farpado e blocos de concreto para evitar ataques com carros desgovernados, Washington mudou de cara para a posse de Joe Biden, que acontece em 20 de janeiro. Transformada em um campo entrincheirado após o violento ataque ao Capitólio em 6 de janeiro, a capital dos Estados Unidos implementou um dispositivo de segurança raro, adotando o mesmo vocabulário militar usado durante a ocupação das tropas americanas no Iraque.

Com militares nas ruas, cercas de arame farpado e blocos de concreto para evitar ataques com carros desgovernados, Washington mudou de cara para a posse de Joe Biden, que acontece em 20 de janeiro. Transformada em um campo entrincheirado após o violento ataque ao Capitólio em 6 de janeiro, a capital dos Estados Unidos implementou um dispositivo de segurança raro, adotando o mesmo vocabulário militar usado durante a ocupação das tropas americanas no Iraque.

Com informações de Xavier Vila, correspondente da RFI em Washington

Washington está fortificada, com cercas de metal intransponíveis, que tornam inacessível todo o centro da cidade, especialmente os arredores da Casa Branca e do Capitólio. A região foi classificada como "zona verde", imitando a terminologia usada em Bagdá quando o Iraque estava ocupado pelas tropas americanas. Cerca de 25.000 membros da Guarda Nacional foram mobilizados para impedir o acesso ao centro da cidade durante toda a semana.

Mas a forte presença policial não impediu que alguns partidários do chefe da Casa Branca insultassem a imprensa em torno do Capitólio de Washington. Ou ainda, ao ouvirem a passagem de um helicóptero da polícia, que gritassem que o processo eleitoral foi roubado de Trump.

Um manifestante que não quis se identificar disse que, como os demais, quer apenas defender seu direito de viver armado. Ele teme uma eventual mudança de legislação imposta pelo governo, que suprimiria o direito constitucional de possuir armas de fogo.

"Estamos preocupados com nossos direitos, que estão sendo pisoteados", diz outro manifestante à RFI. "Queremos que todos participem", completou, mesmo afirmando que muitos de seus colegas descartaram a ideia de se manifestar depois de ver a revolta que, na semana passada, causou 5 mortes no mesmo local.

Não muito longe, um policial celebra a fraca presença de manifestantes. Mas ele atesta que continua em estado de alerta, pois ataques podem "acontecer a qualquer hora" e que as equipes de segurança estão "preparadas para o pior".

Um homem de 22 anos foi detido perto do Congresso no domingo, com uma arma, três cartuchos de alta capacidade e dezenas de munições, segundo o The Washington Post. O jornal informou ainda que uma mulher foi detida tentando se passar por um policial.

Manifestações em outros estados

Sem poder se aproximar da Casa Branca, manifestantes ligados a grupos de extrema direita, alguns exibindo fuzis de guerra, se reuniram em torno das sedes dos poderes legislativos de diferentes estados do país, que também são vigiadas por um forte dispositivo de segurança. Pequenos grupos de manifestantes armados foram vistos reunidos em estados como Ohio, Texas, Oregon, Michigan e Kentucky.

De uma maneira geral, a presença policial parece ter desencorajado partidários de Donald Trump. No entanto, seus apoiadores continuam enchendo as redes sociais com mensagens encorajando a impedir a posse de seu sucessor, Joe Biden, na quarta-feira.

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