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1 mês

Pazuello mente ao dizer que Saúde nunca indicou remédios contra a covid-19

do UOL

Anaís Motta

Do UOL, em São Paulo

18/01/2021 17h41Atualizada em 20/01/2021 13h26

O ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello, mentiu hoje ao dizer que a pasta nunca indicou nenhum medicamento para o tratamento da covid-19. Logo depois de sua posse, em 20 de maio, o ministério lançou um protocolo que sugeria a prescrição de hidroxicloroquina e cloroquina aos infectados, ainda que não haja nenhuma comprovação da eficácia desses remédios contra o coronavírus.

"A senhora nunca me viu receitar, dizer, colocar para as pessoas tomarem este ou aquele remédio. Nunca. Não aceito a sua posição. Eu nunca indiquei medicamentos a ninguém, nunca autorizei o Ministério da Saúde a fazer protocolos indicando medicamentos", disse o ministro a uma jornalista durante coletiva no Palácio do Planalto.

O protocolo divulgado em maio, porém, orienta o uso de cloroquina, hidroxicloroquina e outros medicamentos, bem como a dosagem recomendada (abaixo rasuradas) para cada um deles.

Protocolo do MS - Reprodução - Reprodução
Imagem: Reprodução

Assim como o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), Pazuello já defendeu o uso de cloroquina contra a covid-19 em diversas oportunidades. Em 21 de julho, por exemplo, o ministro citou o antimalárico e a ivermectina, que também não tem eficácia comprovada contra a doença, quando falava sobre "tratamento precoce".

À época, apesar da existência do protocolo, Pazuello disse que era apenas uma "orientação", não uma diretriz. Segundo ele, o Ministério da Saúde apenas apresentou quais medicamentos estão sendo usados, quais estão dando resultados e qual a melhor dosagem e momento de uso.

"Temos a hidroxicloroquina, ivermectina e azitromicina listadas, e cabe ao médico prescrever qual é o medicamento adequado naquela fase e para aquele paciente", afirmou ele durante visita ao Rio Grande do Sul.

Depois, ao lado de Bolsonaro, ele voltou a recomendar o uso de cloroquina no tratamento da covid-19. A declaração foi feita em transmissão ao vivo em 22 de outubro (assista abaixo), um dia depois de Pazuello ser diagnosticado com a doença. Tanto ele como o presidente, que também já foi infectado, apareceram sem máscara.

"Atendimento" precoce

Durante a coletiva de hoje, Pazuello também negou que o Ministério da Saúde tenha defendido o "tratamento precoce" contra a covid-19, ainda que no sábado (16) o Twitter tenha ocultado uma publicação da pasta que falava justamente sobre isso por considerá-la "enganosa" e "potencialmente prejudicial".

"Não confundam o atendimento precoce com definição de que remédio tomar. Por favor, compreendam isso e não coloquem mais errado. Nós defendemos e incentivamos e orientamos que a pessoa doente procure imediatamente o posto de saúde, procure o médico. O médico faz o diagnóstico clínico desse paciente, esse é o atendimento precoce", disse o ministro.

Tratamento é uma coisa, atendimento é outra. Como leigos, às vezes nós falamos o nome errado. Mas nós temos que saber exatamente o que nós estamos querendo dizer. Atendimento precoce, é esse o nosso objetivo. Eduardo Pazuello, ministro da Saúde

Segundo Pazuello, cabe ao médico definir os medicamentos que vai prescrever ao paciente, e a Saúde "não tem protocolos sobre isso" — o que não é verdade. O protocolo lançado em 20 de maio foi atualizado em 15 de junho e continua disponível no site da pasta.

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