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Navalny: Mesmo preso, inimigo n° 1 de Putin convoca russos para ir às ruas contra o poder

18/01/2021 17h12

O opositor russo Alexei Navalny pediu, nesta segunda-feira (18), aos seus apoiadores para "ir às ruas" contra o poder. A declaração foi feita minutos depois de uma decisão judicial que o mantém preso até 15 de fevereiro. O inimigo n°1 do presidente Vladimir Putin foi detido no domingo, logo após seu retorno da Alemanha para a Rússia.

O opositor russo Alexei Navalny pediu, nesta segunda-feira (18), aos seus apoiadores para "ir às ruas" contra o poder. A declaração foi feita minutos depois de uma decisão judicial que o mantém preso até 15 de fevereiro. O inimigo n°1 do presidente Vladimir Putin foi detido no domingo, logo após seu retorno da Alemanha para a Rússia.

"Não tenham medo, saiam para as ruas, não por mim, mas por vocês, pelo seu futuro", disse em um vídeo divulgado nas redes sociais. Navalny foi preso na véspera, após descer do avião em um aeroporto de Moscou.

"Não se calem, resistam, saiam às ruas", insistiu na sala de audiência. Seu colaborador mais próximo, Leonid Volkov, anunciou imediatamente a organização de "grandes manifestações em todo o país em 23 de janeiro".

O carismático ativista anticorrupção e inimigo jurado do Kremlin, de 44 anos, acusa o presidente Vladimir Putin de ter ordenado seu assassinato envenenando-o. Moscou nega.

Navalny caiu repentinamente em coma em agosto passado, quando retornava de uma visita eleitoral na Sibéria. Inicialmente hospitalizado em Omsk, ele foi transferido para um hospital de Berlim sob a pressão de seus familiares, onde conseguiu se recuperar.

Três laboratórios europeus chegaram à conclusão de que Navalny foi envenenado por um agente nervoso do tipo Novichok, desenvolvido na época soviética com finalidades militares. O resultado da perícia também foi confirmado pela Organização para a Proibição das Armas Químicas (OPAQ).

Paródia da justiça

Para justificar essa nova detenção, o Serviço Penitenciário Russo (FSIN) o acusa de ter violado as medidas de controle judicial quando foi para o exterior receber tratamento. Navalny ironizou sobre essa situação: "Tentamos te matar, você não está morto, nos irrita e por isso te prendemos". Após ser detido, o opositor denunciou uma "paródia de justiça" na "mais completa ilegalidade", segundo um vídeo divulgado no Twitter pela sua porta-voz, Kira Yarmysh.

Nesta segunda-feira, inesperadamente, um tribunal se reuniu pela manhã na delegacia de Jimki, em um subúrbio de Moscou, onde Navalny está preso, para analisar "a ordem de prisão", informou Vadim Kobzev, advogado do principal adversário do Kremlin. "O velho em seu bunker tem tanto medo que joga o código do processo penal no lixo", afirmou Navalny, referindo-se ao presidente Putin e ao fato de um tribunal poder se reunir em uma delegacia.

Reações internacionais

A reação ocidental foi unânime. A União Europeia, Estados Unidos, Alemanha, França e Reino Unido pediram sua libertação "imediata".O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos também se juntou a este apelo, assim como o futuro governo americano de Joe Biden, e o secretário de Estado do atual presidente Donald Trump.

Diante dessa avalanche de críticas, o ministro russo das Relações Exteriores, Serguei Lavrov, respondeu que os ocidentais atacavam a Rússia para "desviar a atenção da profunda crise sofrida pelo modelo de desenvolvimento liberal". O caso Navalny "é um assunto das forças de segurança" e é preciso "respeitar a lei", acrescentou, o chefe da diplomacia russa.

Popular nos grandes centros

Muito ignorado pela imprensa russa, Navalny continua sendo a principal voz da oposição graças a uma grande audiência nas redes sociais (seu canal do YouTube tem 4,8 milhões de inscritos) e às suas investigações sobre a corrupção das elites e do entorno de Putin. No entanto, sua notoriedade permanece limitada fora das grandes cidades. Segundo uma pesquisa realizada em setembro pelo centro independente Levada, apenas 20% dos russos aprovam seu trabalho.

(Com informações da AFP)

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