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Premiê dos Países Baixos renuncia em meio a escândalo político

15/01/2021 12h46

BRUXELAS, 15 JAN (ANSA) - O primeiro-ministro dos Países Baixos, Mark Rutte, renunciou nesta sexta-feira (15) em meio a um escândalo sobre o pagamento de abonos para famílias pobres no país.   

O pedido foi submetido ao rei Willem-Alexander e, apesar de ser simbólico já que novas eleições serão realizadas em 17 de março, marca uma grande instabilidade para uma nova coalizão de centro-direita.   

O premiê assumiu a responsabilidade pelos erros do governo e disse que "pessoas inocentes foram criminalizadas e suas vidas arruinadas". "Nós estamos conscientes que se todo o sistema falhou, nós todos devemos assumir nossas responsabilidades, e isso levou à conclusão de que eu acabei de enviar para o rei o pedido de renúncia de todo o Gabinete", acrescentou.   

Durante o pronunciamento, Rutte ainda destacou que "o Estado de Direito tem que proteger todos os seus cidadãos" e que se não é feito nesse sentido "isso significa que algo correu horrivelmente errado".   

O atual premiê liberal está no poder desde 2010 e, nos últimos anos, foi mantido por um governo de centro-direita. Entre 2012 e 2017, também fez parte da coalizão o Partido dos Trabalhadores, que atualmente está na oposição.   

O escândalo, segundo as investigações de uma comissão parlamentar, ocorreu ao menos entre os anos de 2012 e 2019 e afetou milhares de pessoas no país.   

Segundo o documento, ao menos 26 mil pessoas de baixa renda, incluindo imigrantes acolhidos legalmente, foram acusados pelos serviços fiscais de fraudes no recebimento de abonos familiares, especialmente, benefícios para a saúde das crianças. Uma das agências envolvidas confirmou que, só em 2019, foram 11 mil pessoas acusadas erradamente.   

Além da abertura de processo judicial, muitas dessas famílias foram obrigadas a devolver o dinheiro recebido - incluindo os valores de maneira retroativa. Conforme os parlamentares, "algumas das famílias tinham graves problemas financeiros" e precisaram pagar milhares de euros - contraindo novos empréstimos.   

O anúncio da saída de Rutte ocorre dois dias depois que o atual líder dos Trabalhadores, Lodewijk Asscher, que foi ministro de Assuntos Sociais e Trabalho durante parte do período citado, informou sua renúncia da presidência da sigla e que não irá se candidatar novamente nas próximas eleições.   

Asscher afirmou que não sabia da "perseguição errônea de milhares de famílias" pelo serviços fiscais, mas que isso acabou transformando o governo "inimigo do seu povo". (ANSA).   

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