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Pai de jovem encontrada morta no Rio muda de endereço após sofrer ameaças

Corpo de Bianca Lourenço foi encontrado no dia 12 de janeiro - Reprodução
Corpo de Bianca Lourenço foi encontrado no dia 12 de janeiro Imagem: Reprodução
do UOL

Marcela Lemos

Colaboração para o UOL, no Rio de Janeiro

14/01/2021 07h36

O pai da jovem Bianca Lourenço, que denunciou que a filha foi morta pelo ex-namorado apontado como chefe do tráfico de drogas da favela Kelson's, no bairro da Penha, na zona norte do Rio de Janeiro, deixou a cidade por motivo de segurança.

O lutador, que não terá o nome divulgado, disse ao UOL que "não aguentava mais se sentir desprotegido". Ele viveu durante 15 anos no mesmo endereço. Desde que denunciou o caso à polícia e à imprensa no último dia 5, o pai de Bianca passou a receber ameaças pelas redes sociais.

Para garantir sua segurança, o pai de Bianca deixou para trás as escolinhas de luta onde dava aula de artes marciais.

"Eu sou educador, sou treinador de luta, trabalho com muay thai, boxe e MMA. Tenho projeto que pegava crianças de 7 a 18 anos [incompletos], pois muitas vezes esses jovens não estão trabalhando e precisam de um lugar assim para aliviar o estresse deles. É preciso recomeçar. é até difícil falar [o que ficou para trás]", disse.

O lutador e professor afirmou que trocou a liberdade por justiça pela filha.

Jovem foi reconhecida por impressão digitais

O corpo de Bianca foi encontrado na noite de terça-feira (12), em um tonel à beira da praia da Ilha do Fundão, na zona norte da cidade. O local é próximo à favela Kelson's, onde a jovem foi vista pela última vez.

A vítima foi esquartejada. Devido ao estado do corpo, o reconhecimento só foi possível através de impressões digitais. O laudo só foi concluído na tarde de ontem pelo IML (Instituto Médico Legal).

No entanto, no dia em que o corpo foi encontrado, a polícia já suspeitava que se tratava da jovem devido às tatuagens no tronco.

O pai de Bianca não pôde ir ao IML por motivo de segurança. O corpo precisou ser liberado por outros parentes.

Pai responsabiliza ex-namorado

Na semana passada, ao UOL, o pai de Bianca afirmou que o ex-namorado da filha, Dalton Vieira Santana, chefe do tráfico de drogas da Kelson's, era o responsável pela morte da jovem.

Para a polícia, ele é o principal suspeito do crime.

Bianca e Dalton mantiveram um namoro durante um ano, mas o traficante não aceitava o fim do relacionamento. Há dois meses, Bianca havia deixado a comunidade e voltou a morar com o pai.

No entanto, no último dia 3, ela foi em um churrasco na favela com amigas e foi retirada do evento à força. Segundo relatos, a jovem foi arrastada do local e nunca mais foi vista.

A Polícia Civil do Rio começou a investigar o caso, após o desaparecimento repercutir nas redes sociais. O pai de Bianca registrou o sumiço da filha no dia 5 de janeiro e acusou o traficante.

Ele contou que chegou a subir à favela pedindo que o tráfico entregasse o corpo da jovem à família, o que não ocorreu.

No dia do desaparecimento, Bianca publicou algumas fotos nas redes sociais e escreveu: "Não existe nada melhor do que acordar em paz, estar em paz, viver em paz... Não me preocupo com mais nada. Obrigada, meu Deus".

As fotos da jovem foram tomadas de comentários sobre o crime.

Errata: o texto foi atualizado
Diferentemente do que foi informado, o corpo da vítima foi encontrado em 12 de janeiro, e não 12 de fevereiro. A informação foi corrigida.

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