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Covid-19 avança em regiões com alto IDH em São Paulo, diz Prefeitura

Pessoas usam máscara de proteção devido ao coronavírus, na Avenida Paulista - Ananda Migliano/Ofotográfico/Folhapress
Pessoas usam máscara de proteção devido ao coronavírus, na Avenida Paulista Imagem: Ananda Migliano/Ofotográfico/Folhapress
do UOL

Afonso Ferreira, Wanderley Preite Sobrinho e Allan Brito

Do UOL e Colaboração para o UOL, em São Paulo

14/01/2021 12h20Atualizada em 14/01/2021 15h45

Os casos de covid-19 avançaram com maior intensidade nos bairros com maior IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) da cidade de São Paulo no começo do ano, de acordo com estudo divulgado hoje pela Prefeitura da capital. O índice é usado para medir a qualidade de vida em diferentes regiões —normalmente, o número é mais alto em regiões mais ricas.

O prefeito Bruno Covas (PSDB) não apareceu na coletiva. Os dados foram divulgados pelo secretário municipal de Saúde, Edson Aparecido, e pelo vice-prefeito, Ricardo Nunes (MDB).

De acordo com o novo inquérito sorológico da Prefeitura, a prevalência —que mede a proporção de infectados na população— do novo coronavírus nos bairros de maior IDH estava baixa em 2020, mas saltou de 4,6% no fim do ano passado para 11,9% no começo de 2021. Esses bairros ficam, principalmente, na região central da cidade.

Um dos motivos para o aumento foram as aglomerações durante as festas de fim de ano, de acordo com o secretário.

O cenário atual sofreu efeitos de aglomerações em bares, festas e domicílios, com destaque para o período festivo de dezembro. A pandemia não acabou, e a prefeitura sempre recomendou flexibilização com cautela.
Edson Aparecido, secretário municipal de Saúde de São Paulo

Neste início de ano, nas regiões com IDH médio, a prevalência do novo coronavírus ficou em 10,9%. Já nos bairros de IDH baixo, periféricos, o índice foi de 22%. A prevalência média na cidade foi de 14,1%.

Mapa de prevalência da covid-19 por faixas de IDH, segundo inquérito sorológico realizado pela Prefeitura de São Paulo - Reprodução - Reprodução
Mapa de prevalência da covid-19 por faixas de IDH, segundo inquérito sorológico realizado pela Prefeitura de São Paulo
Imagem: Reprodução

Zona leste tem maior prevalência

Quando analisadas as cinco regiões da capital, a zona leste foi a que teve maior aumento na prevalência do coronavírus. Veja a seguir o percentual de prevalência em cada região no fim de 2020 e no início deste ano:

  • Leste: subiu de 11,7% para 19,4%
  • Centro-Oeste: subiu de 5,5% para 8,1%
  • Sudoeste: subiu de 10,3% para 12,4%
  • Norte: caiu de 13,8% para 10,9%
  • Sul: caiu de 19,8% para 16,4%

"Se o restante da cidade tivesse a mesma aceleração dessa faixa da cidade (alto IDH) e não tivesse acompanhamento da Prefeitura, nós seguramente teríamos nas regiões periféricas um quadro mais agravado", disse o secretário.

Quem são os mais afetados?

"Os mais afetados são os desempregados, porque circulam em procura de emprego ou trabalha fora de casa" e quem precisa usar transporte público, disse Aparecido. Veja a prevalência, segundo o estudo:

  • Desempregados e quem trabalha fora: 20,7%
  • Adultos de 35 a 49 anos: 19%
  • Ensino médio: 16,6%
  • População preta e parda: 15,4%

Desta vez, a Prefeitura também avaliou a prevalência da doença de acordo com o contato social:

  • Pessoas que evitaram contato: 11,4%
  • Pessoas com contato com grupo restrito: 13,5%
  • Pessoas sem restrição de contato: 28,9%

Os dados foram obtidos por meio de questionário aplicado pela Prefeitura e da realização de testes rápidos para a detecção do novo coronavírus. Participaram do estudo 1.097 pessoas que tiveram resultado positivo para covid-19 nas fases 0, 2, 4 e 6 do inquérito sorológico (de junho a setembro do ano passado).

Estado antecipa atualização do Plano SP

Ontem, o governo estadual anunciou que vai antecipar para amanhã a reclassificação do Plano São Paulo, de retomada da atividade econômica. A capital deve continuar na fase amarela do programa.

A última atualização do Plano São Paulo foi divulgada na sexta-feira passada (8). Três regiões regrediram da fase amarela para a laranja, com 90% da população do estado se mantendo na fase amarela, incluindo a capital. A previsão era que a nova reclassificação acontecesse apenas em fevereiro.

Atualmente, o estado segue com a tendência de alta nas contaminações pelo novo coronavírus, o que tem resultado em piora nos índices de ocupação de leitos de UTI.

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