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Bolsonaro e Doria têm responsabilidade nos discursos contra a CoronaVac

Jair Bolsonaro e João Doria - Marcos Correa/PR; Roberto Casimiro/Agência O Globo
Jair Bolsonaro e João Doria Imagem: Marcos Correa/PR; Roberto Casimiro/Agência O Globo
Carla Araújo

Jornalista formada em 2003 pela FIAM, com pós-graduação na Fundação Cásper Líbero e MBA em finanças, começou a carreira repórter de agronegócio e colaborou com revistas segmentadas. Na Agência Estado/Broadcast foi repórter de tempo real por dez anos em São Paulo e também em Brasília, desde 2015. Foi pelo grupo Estado que cobriu o impeachment da presidente Dilma Rousseff. No Valor Econômico, acompanhou como setorista do Palácio do Planalto o fim do governo Michel Temer e a chegada de Jair Bolsonaro à Presidência.

do UOL

Do UOL, em Brasília

13/01/2021 13h08

Adversários políticos, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), contribuíram para inflar discursos contra a eficácia da CoronaVac, a vacina contra covid produzida pelo Butantan com o laboratório chinês Sinovac.

Cada um em seu quadrado, mas os dois com responsabilidade. O governo de São Paulo demorou, mas revelou ontem (12) que a eficácia do imunizante é de 50,38%.

O número é considerado bom por especialistas que atestam que a vacina é segura e eficaz, mas não é sem razão que a divulgação causou uma série de dúvidas para a população brasileira.

De um lado, o presidente, que já chamou a CoronaVac de "vacina do Doria", infla a campanha de desinformação em torno do imunizante. Nesta quarta-feira (13), em tom irônico, Bolsonaro perguntou a um seguidor: "Essa de 50% é uma boa?".

Como chefe da nação era importante que o presidente tentasse esclarecer para a população que, sim, a vacina é eficiente e pode salvar a vida de milhares de brasileiros. Mas, diante da postura negacionista de Bolsonaro, não é surpresa que ele siga a toada da politização da vacina.

O presidente ignora, no entanto, que a CoronaVac foi adquirida pelo Ministério da Saúde e estará à disposição dos brasileiros no Plano Nacional de Vacinação.

A ironia de Bolsonaro dá as mãos à falta de transparência do governador de São Paulo. A começar pelo fato de que Doria - que sempre fez questão de estar presente nos anúncios - escalou um time de especialistas para o anúncio desta semana, mas não compareceu.

Além disso, os seguidos adiamentos para divulgar os dados da vacina e a apresentação de informações incompletas deram munição aos grupos antivacinas e aos aliados do presidente.

A parte técnica da vacina é uma equação complicada. O ideal é que ela seja mesmo explicada por quem entende do assunto. Porém, para a população em geral as explicações parecem ter ampliado as dúvidas.

Coube à imprensa tentar esclarecer e explicar o que significa cada número apresentado em relação ao imunizante.

De forma leiga e direta, os 50,38% de eficácia global da vacina significam que se uma pessoa recebe o imunizante tem mais de 50% de chance de não ser infectada pelo vírus. Em relação aos outros números apresentados: se o vírus infectar uma pessoa vacinada em 78% dos casos não haverá sintomas. E, por fim, caso haja sintomas em 100% dos casos a vacina garante que a doença não se tornará grave.

Ministro também não ajuda

Se Bolsonaro e Doria não estão sendo capazes de explicar e estimular a vacinação para a população, o titular do Ministério da Saúde, general Eduardo Pazuello, também não tem ajudado.

Pazuello coleciona frases infelizes e até absurdas em torno das vacinas e do combate à doença. A última delas, de que a vacina será no "dia D e na hora H, no Brasil", só amplia as incertezas e inseguranças dos brasileiros.

Agora, a sua pasta trabalha para que no próximo dia 19, no Palácio do Planalto, aconteça um evento para marcar o início da imunização.

Apesar de Bolsonaro não ser um entusiasta das vacinas, segundo auxiliares, o presidente já disse que quer ter a fotografia da vacinação como ação do governo federal antes de qualquer marketing do governador de São Paulo.

Só tem um problema: ele disse que não vai se vacinar.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.

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