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Magnata dono de jornal pró-democracia é novamente preso em Hong Kong

03/12/2020 11h21

O magnata de Hong Kong Jimmy Lai, figura importante da luta pró-democracia, foi detido nesta quinta-feira (3) como parte de uma investigação por fraude, em um dos vários processos judiciais contra dissidentes e críticos de Pequim na ex-colônia britânica. Ele já havia sido preso em agosto por supeita de alianças com forças estrangeiras. 

O magnata de Hong Kong Jimmy Lai, figura importante da luta pró-democracia, foi detido nesta quinta-feira (3) como parte de uma investigação por fraude, em um dos vários processos judiciais contra dissidentes e críticos de Pequim na ex-colônia britânica. Ele já havia sido preso em agosto por supeita de alianças com forças estrangeiras. 

Lai, de 73 anos, é proprietário do tabloide Apple Daily, conhecido pelo compromisso com o campo pró-democracia e por suas críticas incisivas ao Executivo de Hong Kong, pró-Pequim.

Nesta quinta-feira, o empresário e dois de seus principais executivos, Royston Chow e Wong Wai-keung, compareceram a um tribunal por acusações de fraude. De acordo com os documentos judiciais, a sede do jornal seria utilizada para fins que não estariam previstos no contrato de aluguel do edifício.

Centenas de policiais realizaram uma operação de busca em agosto no edifício, incluindo a redação do Apple DailyVários funcionários do grupo de comunicação, incluindo Lai, foram detidos sob a suspeita de "conluio com forças estrangeiras", com base na nova lei de segurança nacional imposta em junho por Pequim na região semiautônoma.

Até o momento, ninguém foi acusado formalmente com base na nova lei, mas uma investigação está em andamento.

Pedido de fiança rejeitado

Nesta quinta-feira, o tribunal que examinava as acusações de fraude rejeitou o pedido de fiança de Lai, mas concedeu o benefício a Wong e Chow, com a próxima audiência programada para abril. Isto significa que o empresário milionário, fotografado com as mãos algemadas, passará os próximos meses na prisão.

Pequim aumentou nos últimos meses a pressão para retomar o controle da ex-colônia britânica, em particular com a lei de segurança promulgada em junho. Em 2019, Hong Kong viveu sua crise política mais grave desde a devolução para a China em 1997.

Dezenas de ativistas detidos

Vários nomes importantes da oposição foram impedidos de disputar as eleições legislativas, adiadas em um ano, sob a alegação do risco relacionado à pandemia de coronavírus. Além disso, vários membros do Parlamento perderam seus mandatos, e o restante da oposição renunciou em solidariedade. Dezenas de ativistas pró-democracia também foram acusados, ou detidos.

Na quarta-feira (2), três dissidentes do movimento a favor da democracia, entre eles Joshua Wong, foram condenados a penas de prisão por sua participação nas manifestações de 2019.

Lai também está sendo processado por sua participação nesta mobilização em um processo diferente do caso desta quinta-feira.

Ataque à liberdade de expressão

Há alguns meses, vários países ocidentais criticaram a outra detenção de Lai, proprietário do grupo de comunicação Next Digital, e denunciaram um ataque à liberdade de expressão.

Os meios de comunicação estatais chineses consideram Lai um "traidor" e o apontam como o instigador dos protestos de 2019.

Lai chegou clandestinamente a Hong Kong com sua família, aos 12 anos, a bordo de um barco procedente de Cantão. Trabalhou em uma fábrica, aprendeu inglês e abriu o próprio negócio têxtil.

Após a repressão dos protestos de Tiananmen (Praça da Paz Celestial), em 1989, que, segundo ele, transformou sua visão política, ele fundou a Next Media em 1990.

(Com informações da AFP)

 

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