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Homenagens ao ex-presidente francês Giscard d'Estaing, morto com covid-19

03/12/2020 16h48

Paris, 3 dez 2020 (AFP) - "Um político do progresso e da liberdade" e "um grande europeu". As homenagens eram intensas nesta quinta-feira (3), um dia depois da morte do ex-presidente francês Valéry Giscard d'Estaing (1974-1981), que faleceu aos 94 anos vítima da covid-19.

O centrista Valéry Giscard d'Estaing foi hospitalizado várias vezes nos últimos meses por problemas cardíacos. Ele faleceu na quarta-feira na casa da família em Authon, no centro da França.

Quando foi eleito em 1974, aos 48 anos, o centrista se tornou o presidente mais jovem da V República.

Durante seu mandato, até 1981, modernizou o país, com a promulgação de importantes reformas sociais: autorizou o aborto e reduziu a idade do direito a voto para 18 anos. Também foi o primeiro presidente não gaullista da V República, sucedendo ao emblemático general Charles de Gaulle e a seu herdeiro político, Georges Pompidou.

Também foi um europeu fervoroso: trabalhou com o "amigo" chanceler Helmut Schmidt para manter ativo o motor franco-alemão e, nos anos 2000, presidiu a Convenção Europeia com o objetivo de estabelecer uma Constituição Europeia, iniciativa que fracassou.

Seu interesse por questões internacionais o levou a fundar o G7, clube dos países industrializados.

O presidente Emmanuel Macron homenageou Giscard d'Estaing, elogiando um chefe de Estado "cujo mandato de sete anos transformou a França".

A França terá um dia de luto nacional na quarta-feira, 9 de dezembro, decretou Macron.

Os funerais acontecerão em uma cerimônia íntima, informou a família.

Os ex-presidentes franceses Nicolas Sarkozy (conservador) e François Hollande (socialista) também homenagearam Giscard D'Estaing.

"Valéry Giscard d'Estaing trabalhou toda sua vida para fortalecer os laços entre as nações europeias, quis e conseguiu modernizar a vida política e dedicou sua grande inteligência à análise dos mais complexos problemas internacionais", disse Nicolas Sarkozy.

A França "perde um estadista que optou por se abrir ao mundo", lamentou Hollande.

Giscard d'Estaing rompeu com o estilo solene de seus antecessores e fez o possível para se aproximar das pessoas, convidando-se para jantar em casas de cidadãos comuns, ou tocando acordeão.

- Um "grande europeu" -A Alemanha perde um amigo e um "grande europeu", declarou a chanceler Angela Merkel.

"Choramos por um grande europeu que seguirá nos inspirando", escreveu no Twitter a presidente da Comissão Europeia, a alemã Ursula von der Leyen.

"Durante sua presidência, também foi o arquiteto do que se tornou o G7", lembrou o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson.

O presidente do Conselho Europeu, o belga Charles Michel, destacou que D'Estaing tornou realidade "o sonho de uma Europa mais integrada".

O chefe da diplomacia da UE, o espanhol Josep Borrell, recordou que o francês "trabalhou a favor do fortalecimento da construção europeia". "Devemos muito a ele", completou.

Quando Giscard d'Estaing chegou ao Palácio do Eliseu em maio de 1974, ele se tornou o líder mais jovem da França desde Luís Napoleão-Bonaparte.

"Por gerações inteiras, especialmente aquelas que estiveram com ele em sua juventude, ele soprou um grande vento de modernidade na sociedade francesa e fez nascer uma imensa esperança de superação e união", disse à AFP François Bayrou, que deu seus primeiros passos na política com ele e foi seu sucessor à frente do partido centrista UDF.

A segunda parte de seu governo foi marcada pela crise econômica e pelo escândalo dos "diamantes Bokassa". O então presidente foi acusado de ter recebido diamantes, quando era ministro das Finanças, do ditador da República Centro-Africana Jean-Bedel Bokassa.

Ele havia cumprido apenas um mandato de sete anos quando foi derrotado pelo socialista François Mitterrand, em 1981.

Após a derrota, "VGE" permaneceu uma figura de centro-direita, antes de desaparecer do cenário político francês, na década de 1990. Retornou em 2001, à frente da Convenção Europeia, responsável por redigir uma Constituição Europeia que foi rejeitada por 55% dos eleitores em referendo no ano de 2005.

Uma de suas últimas aparições públicas aconteceu em 30 de setembro de 2019, durante o funeral em Paris de outro ex-presidente, Jacques Chirac, que foi seu primeiro-ministro de 1974 a 1976.

Após ter sido internado diversas vezes recentemente, "seu estado de saúde piorou, e ele faleceu em consequência da covid-19", informou sua família em um comunicado enviado à AFP, que destaca que o funeral acontecerá "na mais estrita privacidade familiar".

O ex-presidente era alvo de uma investigação por suposta agressão sexual, depois que uma jornalista alemã denunciou que ele a teria tocado nas nádegas durante uma entrevista.

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