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Londres diz que autorização para vacina contra covid se deve ao Brexit

Ampolas da vacina da Pfizer contra a covid-19 - Divulgação
Ampolas da vacina da Pfizer contra a covid-19 Imagem: Divulgação

02/12/2020 10h15

O governo britânico garantiu hoje que o Brexit permitiu que o Reino Unido fosse o primeiro país ocidental a autorizar uma vacina contra o novo coronavírus, uma afirmação atenuada pelo regulador nacional de medicamentos após seu sinal verde para a vacina Pfizer/BioNTech.

"Enquanto, até o início deste ano, estávamos na Agência Europeia de Medicamentos, graças ao Brexit pudemos tomar uma decisão (...) com base no regulador britânico, um regulador de classe mundial, e não no ritmo dos europeus, que estão se movendo um pouco mais devagar", declarou o ministro da Saúde, Matt Hancock.

"Nós conduzimos os mesmos controles de segurança e seguimos os mesmos procedimentos, mas conseguimos agilizar a forma como são feitos, graças ao Brexit", acrescentou.

O Reino Unido deixou a União Europeia em 31 de janeiro, mas continua sujeito às regras europeias, incluindo a legislação farmacêutica, durante um período de transição que termina no final do ano.

Em razão do Brexit, a Agência Europeia de Medicamentos, responsável pela autorização e controle de medicamentos dentro da UE, mudou-se de Londres para Amsterdã em março de 2019 com seus 900 funcionários.

"Fomos capazes de anunciar o fornecimento desta vacina em virtude de cláusulas da legislação europeia que existem até 1º de janeiro", explicou a diretora-executiva da Agência Reguladora de Medicamentos e Produtos de Saúde do Reino Unido (MHRA, na sigla em inglês), June Raine, após dar sinal verde para a vacina da aliança teuto-americana Pfizer/BioNTech, que é 95% eficaz.

"Nossa velocidade, ou nosso progresso, dependeram inteiramente dos dados disponíveis em nossa avaliação contínua", acrescentou ela, enfatizando o rigor do processo.

No Twitter, o ministro das Empresas, Alok Sharma, elogiou o Reino Unido como "o primeiro país" a assinar um acordo com a Pfizer/BioNTech e a distribuir sua vacina.

"Nos próximos anos, vamos lembrar desse momento como o dia em que o Reino Unido liderou o ataque da humanidade contra esta doença", insistiu.

Esta declaração triunfante caiu mal para Andreas Michaelis, o embaixador alemão no Reino Unido: "Por que é tão difícil reconhecer este importante avanço como um grande sucesso e esforço internacional?".

As relações entre Londres e os europeus atravessam um momento muito delicado. Eles estão envolvidos em negociações intensas para tentar definir sua nova relação comercial a partir de 1º de janeiro.

Em caso de fracasso das negociações da relação pró-Brexit, ou de perturbações na fronteira, a vacina Pfizer/BioNTech, que é fabricada na Bélgica, poderá ser enviada de avião, disse Matt Hancock na quinta-feira passada à BBC.

Pfizer/BioNTech solicitou autorização condicional de sua vacina contra a covid-19 na UE junto à Agência Europeia de Medicamentos, que estabeleceu até 29 de dezembro, "no máximo", para dar, ou não, sua autorização.

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