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Forte crescimento do PIB do Brasil é esperado para terceiro trimestre

02/12/2020 09h59

Rio de Janeiro, 2 dez 2020 (AFP) - Sustentada pelos auxílios adotados para enfrentar a pandemia, a economia brasileira sairá da recessão com uma recuperação de 8% no terceiro trimestre, mas terá dificuldade em manter o ritmo sem agravar a espiral do déficit e do endividamento - afirmam analistas.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulga na quinta-feira (3) os dados trimestrais da maior economia latino-americana, que, segundo estimativa média de especialistas consultados pelo jornal Valor Econômico, cresceu 8,8% no período julho-setembro com relação ao trimestre anterior.

Essa alta será, porém, insuficiente para compensar o colapso do Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro trimestre (-2,5%) e no segundo (-9,7%), que mergulhou o país em recessão e gerou um desemprego recorde.

Para o quarto trimestre, a Fundação Getúlio Vargas (FGV/IBRE) prevê "desaceleração do ritmo de crescimento", devido "à redução do auxílio emergencial, em conjunto com a aceleração da inflação, as incertezas relacionadas à recuperação do mercado de trabalho e a piora recente das condições financeiras".

O governo projeta uma contração de 4,5% em 2020 e um crescimento de 3,2% em 2021.

Menos otimista, a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) previu na terça-feira (1o) uma queda do PIB de 6% este ano e uma recuperação de 2,6% no próximo. A OCDE considerou que, ainda no final de 2022, a economia do Brasil não terá recuperado seu nível pré-pandêmico.

O auxílio emergencial distribuído desde abril a 67 milhões de brasileiros (quase um terço da população) evitou um colapso pior no segundo país mais atingido pela covid-19, com mais de 173 mil mortes.

Inicialmente de 600 reais por mês, a ajuda foi cortada pela metade em setembro, e tudo indica que será eliminada, ou drasticamente reduzida, em janeiro, apesar de o país enfrentar um ressurgimento da pandemia.

A medida soma 615,1 bilhões de reais e representa 8,6% do PIB, segundo o secretário da Fazenda do Ministério da Economia, Waldery Rodrigues, na semana passada.

Essa assistência elevou o déficit primário (antes do pagamento dos juros da dívida) de 0,85% do PIB em dezembro de 2019 para 9,13% em outubro. A dívida pública saltou de 75,8% para 90,7% do PIB.

Situação singular para o ministro da Economia, o ultraliberal Paulo Guedes, nomeado pelo presidente Jair Bolsonaro há dois anos com a missão de sanear as contas públicas com rigorosos ajustes.

Para o economista Marcos Lisboa, a recuperação no terceiro trimestre "é natural, dado o tamanho da recessão".

Mais tarde, no entanto, com ou sem subsídios, o Brasil voltará ao seu "padrão de relativa estagnação", devido a "problemas estruturais que nunca foram resolvidos".

Lisboa, presidente do Insper, conceituado instituto de capacitação em administração e negócios, defende uma "agenda clara de reformas" para "sair da armadilha" do aumento constante dos gastos em estados e municípios e na esfera federal.

A OCDE alertou que "desacelerar o processo de reformas estruturais pode limitar o investimento e o crescimento futuros".

Mas, lamenta Lisboa, no Brasil, "toda vez que o governo tem que enfrentar ajustes para os eleitores, recua".

E há poucos indícios de que essa agenda avance substancialmente antes das eleições de 2022, nas quais Bolsonaro pretende buscar um segundo mandato.

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