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OCDE: Brasil conseguiu evitar recessão acentuada, mas situação das contas públicas preocupa

01/12/2020 08h16

O Brasil deve registrar um crescimento de seu Produto Interno Bruto (PIB) de 2,6% em 2021 e de 2,2% em 2022, segundo novo relatório de previsões da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE). O documento, que releva as perspectivas da entidade para a economia mundial, foi divulgado nesta terça-feira (1), em Paris.

O Brasil deve registrar um crescimento de seu Produto Interno Bruto (PIB) de 2,6% em 2021 e de 2,2% em 2022, segundo novo relatório de previsões da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE). O documento, que releva as perspectivas da entidade para a economia mundial, foi divulgado nesta terça-feira (1), em Paris.

Essas projeções permitirão que a atividade no país retorne a um patamar próximo do nível pré-pandêmico apenas no final de 2022. A entidade considera que a forte resposta da política fiscal e monetária do governo brasileiro à crise gerada pela pandemia de Covid-19 conseguiu evitar uma contração econômica mais acentuada.

A alta provisão de liquidez na economia e as taxas de juros historicamente baixas continuarão a facilitar os investimentos no Brasil. Mas a OCDE ressalta que o equilíbrio fiscal ficou vulnerável devido à  resposta do governo à pandemia. Embora necessárias, as medidas adotadas pelas autoridades provocaram um aumento da dívida pública, que atingirá 100% do PIB até o final de 2022 - uma expansão de 20 pontos percentuais. Se as reformas estruturais não forem retomadas, adverte a OCDE, os investimentos podem diminuir e comprometer o crescimento futuro.

O relatório Perspectivas Econômicas 2021 destaca que a ajuda emergencial do governo brasileiro beneficiou 67 milhões de famílias de baixa renda, amortecendo o impacto da pandemia na renda familiar e na pobreza. Mas, como a recuperação levará tempo e alguns empregos podem ser definitivamente destruídos, são necessários ajustes nas medidas de proteção social, estima a OCDE.

"A realocação de despesas correntes e o aumento da eficiência de gastos permitiriam que tais melhorias fossem financiadas, enquanto, simultaneamente, o país poderia retomar o ajuste fiscal em curso antes da pandemia." O organismo sugere a continuidade das reformas estruturais, para aumentar a concorrência interna e externa. Melhorias no clima de investimento poderiam gerar um aumento da produtividade, enquanto uma melhor formação profissional permitiria que mais pessoas aproveitassem novas oportunidades econômicas.

Atividade econômica em alta, mas contágios estáveis em patamar elevado

Segundo a OCDE, a inflação permanecerá abaixo da meta no Brasil, reduzida a 3,5% no horizonte de 2022. Isso provavelmente exigirá uma retirada gradual do forte arsenal monetário mobilizado pelo governo para combater as consequências da crise sanitária. O país tem retomado a atividade econômica, depois que a maioria das medidas de restrição contra a Covid-19 foram suspensas, mas o nível de contaminações se estabilizou num patamar elevado.

"A economia está se recuperando (...) Após uma queda mais fraca da atividade do que em outros países da região no segundo trimestre, os principais indicadores de atividade de curto prazo agora apontam para uma recuperação bastante sólida e ampla", diz o documento. "A economia vai quase se recuperar no final de 2022", conclui a OCDE.

As exportações brasileiras continuarão a se beneficiar da recuperação da demanda global por alimentos e minerais, frisa a organização. "Um progresso nas reformas ou um crescimento mais forte nos principais parceiros comerciais, particularmente os Estados Unidos e a China, acelerariam a recuperação", acredita a OCDE. "Dado o espaço fiscal limitado, as reformas estruturais são uma alavanca política fundamental para o país", martela a entidade.

A perspectiva de uma saída da crise se aproxima graças à futura vacina contra o coronavírus, mas a curto prazo ainda é incerta, afirma o relatório. Em suas previsões globais, a OCDE reduziu sua previsão de crescimento mundial para 2021: 4,2%, contra 5% na estimativa anterior. E também corrigiu seu cálculo para 2020, mas desta vez com revisão de alta: o PIB mundial retrocederá 4,2%, menos do que os 4,5% previstos anteriormente, em setembro.

 

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