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Amazônia: Desmatamento avança 9,5% em um ano e tem pior índice desde 2008

Entre 2018 e 2019, 35% do desmatamento na Amazônia ocorreu em terras públicas não destinadas, categoria visada por grileiros - Reuters
Entre 2018 e 2019, 35% do desmatamento na Amazônia ocorreu em terras públicas não destinadas, categoria visada por grileiros Imagem: Reuters
do UOL

Do UOL, em São Paulo

30/11/2020 17h18Atualizada em 30/11/2020 20h40

O desmatamento na floresta amazônica brasileira aumentou 9,5% em relação ao ano anterior, atingindo 11.088 km², segundo dados divulgados hoje pelo Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) em São José dos Campos, interior de São Paulo. O índice é o pior registrado desde 2008, quando o pico atingido foi de 12.911 km².

A informação coletada pelo Prodes (Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite) leva em consideração o desmate ocorrido entre agosto de um ano a julho do ano seguinte; neste caso, entre agosto de 2019 e agosto de 2020. Pela primeira vez o período analisado pelo sistema abrange exclusivamente o governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

Os dados coletados pelo Prodes foram divulgados em cerimônia que contou com a presença do vice-presidente Hamilton Mourão (PRTB), coordenador do Conselho da Amazônia, e do ministro Marcos Pontes (Ciência, Tecnologia e Inovação). De acordo com Mourão, a maior parte do desmatamento se concentra em quatro estados: Pará, Mato Grosso, Amazonas e Rondônia.

"É importante destacar que 45% desse desmatamento ocorre em áreas já consolidadas, propriedades já consolidadas, e 30% — esse é o nosso maior problema, deixo claro — estão ocorrendo em áreas públicas, aquelas terras que não foram entregues para ninguém, nem unidade de conservação, nem terra indígena e nem colocadas na mão de particulares. Isso configura a mais flagrante de todas as ilegalidades", declarou o vice-presidente.

Confira a distribuição do desmatamento por estados

  • Para: 46,8%
  • Mato Grosso: 15,9%
  • Amazonas: 13,7%
  • Rondônia: 11,4%
  • Acre: 5,9%
  • Roraima: 2,7%
  • Maranhão: 2,6%
  • Amapá: 0,7%
  • Tocantins: 0,2%

De acordo com o Greenpeace, o total desmatado no último ano equivale a 1,58 milhão de campos de futebol, o que representa 4.340 campos de futebol desmatados por dia, ou três campos desmatados por minuto.

Gilberto Câmara, diretor do Grupo de Observação da Terra (GEO, na sigla em inglês), ligado à ONU (Organização das Nações Unidas), afirmou que a estratégia de levar os militares para a Amazônia claramente fracassou.

"A estratégia de passar para os militares claramente não funcionou. Com (Ricardo) Salles (ministro do Meio Ambiente) estava ruim, piorou com Mourão. Colocaram milhões com os militares e nada aconteceu de bom", disse.

Câmara chamou atenção para o fato de os números do sistema Deter, que medem o desmatamento mensalmente, estarem cada vez mais próximos do Prodes. Segundo ele, os dados do Deter, com melhoria de tecnologia e da própria equipe, estão cada vez mais precisos e o governo não precisa fechar o ano para saber onde está o desmatamento.

"Deter já mostrava que estava ruim. Não tem desculpa para não agir antes, não tem falta de dados", afirmou.

Em nota, a ONG Observatório do Clima ressaltou que a taxa deste ano oficializa que o Brasil descumpriu a meta da Política Nacional sobre Mudança do Clima (PNMC), que determinava uma redução do desmatamento a uma taxa de máxima de 3.925 km2 em 2020.

"O país está 180% acima da meta, o que o põe numa posição de desvantagem para cumprir seu compromisso no Acordo de Paris (a NDC) a partir do início do ano que vem. Devido ao aumento do desmatamento, o Brasil deve ser o único grande emissor de gases de efeito estufa a ter aumento em suas emissões no ano em que a economia global parou por conta da pandemia", diz a nota.

(Com Reuters)

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