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Bolsa tem melhor mês desde março de 2016, com estrangeiros, Biden e vacina

do UOL

João José Oliveira

Do UOL, em São Paulo

30/11/2020 18h39

Resumo da notícia

  • Eleições americanas e planos de vacinação reduzem incertezas globais em novembro e alimentam busca por ações no mundo
  • Ibovespa subiu mais que outras Bolsas porque ações brasileiras estão baratas, dizem especialistas
  • Estrangeiros voltaram a colocar dinheiro na B3, mas saldo no ano ainda é negativo
  • Dólar e ouro caem, mas seguem no topo de ativos com maiores ganhos no acumulado de 2020

O Ibovespa voltou a subir em novembro, após três meses de perdas. E que reação. O principal índice de ações no Brasil avançou 15,9%, maior variação mensal desde março de 2016, quando o ganho foi de 17%. O desempenho da Bolsa brasileira em novembro reduziu o prejuízo dos investidores de renda variável no país em 2020, mas ainda não foi suficiente para zerar a perda desde janeiro, que está em 5,84%.

A onda de compras de ações não ocorreu apenas na Bolsa brasileira. No exterior, os principais índices acionários também avançaram. Mas o Ibovespa se destacou, ficando à frente de outros mercados emergentes na América Latina e também das referências das Bolsas norte-americanas.

A definição das eleições presidenciais nos Estados Unidos e o progresso dos testes das vacinas contra covid-19 foram determinantes para reduzir dúvidas de investidores com relação ao comportamento que a economia mundial poderá ter em 2021, dizem analistas.

No caso do Brasil, a alta mais intensa do Ibovespa aconteceu porque as ações aqui tinham caído mais que os papéis em outros países, segundo os especialistas.

Os mesmos fatores que alimentaram a compra de ações em novembro justificaram um recuo do dólar e do ouro, tradicionalmente mais procurados em momentos de incertezas. Apesar da queda no mês, esses ativos seguem com forte alta acumulada em 2020.

"O desempenho das Bolsas em novembro reflete uma visão de que o mercado havia exagerado nas projeções de perdas pela pandemia. Os governos apoiaram as economias, e isso tornou a retração econômica menos intensa", disse Pablo Riveroll, diretor de renda variável para Brasil e América Latina da Schroders, instituição financeira britânica que administra mais de US$ 660 bilhões no mundo.

Segundo ele, as projeções de desempenho do PIB (Produto Interno Bruto) estão sendo revistas nas principais economias, e os balanços das empresas estão vindo com dados melhores que os antecipados. Juntando a tudo isso a definição política nos Estados Unidos e o avanço das vacinas, o resultado foi um investidor mais disposto a correr risco na Bolsa.

Brasil estava devendo mais

Esses fatores também estão valendo para o Brasil, mas por aqui a reação demorou mais para acontecer. Por isso, a alta do Ibovespa foi mais forte agora em novembro.

O mercado brasileiro teve uma demora maior para reagir à percepção de que o impacto da pandemia na economia não foi tão intenso. No caso do PIB brasileiro, esperava-se uma queda de até 6% a 7%, e agora se está falando em uma retração ao redor de 4%. Além disso, os resultados de empresas aqui também estão surpreendendo positivamente os investidores.
Pablo Riveroll, diretor de renda variável para Brasil e América Latina da Schroders

Volta dos estrangeiros

Com o cenário de maior propensão ao risco e a Bolsa brasileira barata em dólares ante seus pares, os investidores estrangeiros observaram uma boa janela de oportunidade, destacou o analista da Clear Corretora, Rafael Ribeiro.

Até o dia 26 de novembro, as compras de ações feitas por estrangeiros na Bolsa brasileira superaram as vendas em R$ 31,5 bilhões. No ano, o saldo ainda está negativo, em R$ 33,8 bilhões, considerando as vendas de novas ações (IPOs).

De qualquer forma, isso foi um marco em termos de fluxo e pode ser o pontapé para um início de 2021 melhor do que o visto em 2020.
Rafael Ribeiro, analista da Clear Corretora

E dezembro?

Para dezembro, o cenário segue positivo, dizem profissionais de mercado. Mas a volatilidade não está descartada.

Os fatores que alimentaram a alta das Bolsas em novembro continuam presentes, dizem os analistas, destacando que as ações brasileiras seguem baratas em relação a outros mercados acionários, mesmo após a valorização de novembro.

Mas os investidores devem seguir atentos ao comportamento da inflação e às contas do governo, além de à uma segunda onda da covid-19, que segue como potencial risco, que não deve ser esquecido.

"Para dezembro, o mundo continua de olho no desenvolvimento das vacinas e nos resultados do lockdown pela Europa. No mercado local, todos seguimos atentos às políticas que podem afetar o resultado fiscal do governo", disse Vinicius Horstmann, especialista financeiro da Ahfin, fintech de Recursos Humanos com foco em educação financeira.

Em dezembro, a corrida entre segunda onda e vacina é que deve dizer o tom dos mercados.
Betina Roxo, estrategista-chefe da Rico Investimentos

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