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RSF denuncia agressão policial contra fotógrafo durante protestos em Paris

29/11/2020 12h44

Ameer Al Halbi, de 24 anos, cobria a manifestação contra a Lei de Segurança global e a violência policial, neste sábado (28), em Paris. na praça da Bastilha, de maneira independente. Ele foi ferido no rosto com um cassetete, segundo informou Christophe Deloire, secretário geral da organização Repórteres sem fronteira (RSF), em sua conta no Twitter.  

Ameer Al Halbi, de 24 anos, cobria a manifestação contra a Lei de Segurança global e a violência policial, neste sábado (28), em Paris. na praça da Bastilha, de maneira independente. Ele foi ferido no rosto com um cassetete, segundo informou Christophe Deloire, secretário geral da organização Repórteres sem fronteira (RSF), em sua conta no Twitter.  

"Toda nossa solidariedade para Ameer Al Halbi. Essa violência policial é inaceitável. Ameer veio da Síria para a França se refugiar, como muitos outros jornalistas sírios. O país dos direitos humanos não pode ameaçá-los, e sim, protegê-los", escreveu Deloire.    

O representante da RSF também publicou na internet uma foto da fotógrafa independente Gabrielle Cezard. Na imagem, Ameer aparece após a agressão, no hospital, com a cabeça enfaixada e o nariz sangrando. Paralelamente, a agência de notícias France Press (AFP) também pediu, neste domingo (29) uma investigação para investigar o caso, já que Ameer é um de seus colaboradores.

"Imprensa"

Cezard estava com Ameer e disse que perdeu o colega de vista na hora no momento em que a polícia avançou sobre os manifestantes em uma rua estreita. "Estávamos identificados como fotógrafos e colados à parede. Gritamos 'imprensa', 'imprensa'. Os manifestantes lançavam objetos. Depois a polícia atacou com cassetetes", explicou a fotógrafa.

"Ameer era o único fotógrafo que estava sem capacete e braçadeira (da imprensa). Eu o perdi de vista depois eu o encontrei cercado de pessoas, com o rosto todo ensanguentado e envolvido em curativos", disse. "Ele estava psicologicamente muito abalado, chorava e disse que não entendia qual era o problema em tirar fotos", conta Cezard.

Segundo Dimitri Beck, diretor de fotografia da revista Polka, que conhece Ameer desde que ele chegou à França há quase três anos, o fotógrafo teve o nariz quebrado e foi ferido na região da sobrancelha. Ele foi transportado ao hospital Lariboisière, em Paris.

Investigação

"Estamos chocados pela maneira como nosso colega Ameer Al Halbi foi ferido e condenamos essa violência, que não foi provocada", afirmou no domingo Phil Chetwynd, diretor de informação da AFP.

Ele destacou que, no momento da agressão, Ameer "exercia seu direito legal como fotojornalista que cobre manifestações nas ruas de Paris" e que "estava com um grupo de colegas identificados como jornalistas", indicou Chetwynd. "Nós pedimos à polícia que investigue esse incidente grave e garanta a todos os jornalistas que possam realizar seu trabalho sem medo ou restrições".

A redação da Polka, revista que também trabalha com o fotógrafo, expressou "sua forte indignação diante da agressão policial que Ameer foi vítima. "O violento golpe de cassetete que feriu seu rosto visou, de maneira deliberada, um fotojornalista que exercia livremente sua atividade", afirmou em seu comunicado Alain Genestar, diretor da publicação.

Ameer recebeu em 2017, o segundo prêmio da categoria "Sport News" pela World Press Photo. Ele cobriu para a AFP os combates e a destruição na cidade de Alepo, em pleno conflito sírio. Ele também recebeu o prêmio "Olhar de jovens de 15 anos" por uma foto feita para a AFP de dois homens, cada um com um bebê nos braços, andando em uma rua de Alepo em ruínas.

Mais de 130.000 pessoas manifestaram em Paris no sábado contra o projeto de Lei de Segurança Global, que prevê sanções para a divulgação de imagens de policiais em ação, e a violência policial, após o espancamento do produtor negro Michel Zecler.  

 

 

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