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Quem são Paes e Covas, favoritos a chefiar as Prefeituras de Rio e São Paulo?

26/11/2020 10h27

Rio de Janeiro, 26 Nov 2020 (AFP) - Um lutou contra o coronavírus e o câncer na Prefeitura de São Paulo. O outro quer voltar a governar o Rio de Janeiro e ser novamente "o homem mais feliz do mundo".

Quem são Bruno Covas e Eduardo Paes, os candidatos, segundo as pesquisas, com maiores chances de vencer o segundo turno das eleições municipais neste domingo (29)?

- Covas, um político discreto que luta contra o câncer -Bruno Covas (PSDB, centro) governa São Paulo, capital financeira do país, desde 2018, quando o então prefeito João Doria renunciou para se candidatar ao governo do estado. Seu vice, um discreto jovem de 38 anos, assumiu o comando e agora tenta a reeleição com base em sua imagem de administrador moderado contra o adversário Guilherme Boulos (PSOL, esquerda).

As últimas pesquisas lhe atribuem 55% das intenções de voto contra 45% para Boulos.

Neto do ex-governador Mário Covas (1930-2001), um dos fundadores do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) junto com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o advogado Bruno Covas iniciou sua carreira política aos 26 anos como deputado na Assembleia Legislativa de São Paulo.

Foi secretário do Meio Ambiente do governo de São Paulo (2011-2015) e deputado federal em Brasília (2015-2017).

Ao contrário do governador João Doria, um "outsider" do PSDB que surfou na onda antissistema dos últimos anos, Covas representa uma face mais tradicional do partido.

Em 2020, o desafio da reeleição foi acompanhado por duas outras duras batalhas: a pandemia do coronavírus (que matou 14 mil pessoas na cidade e o infectou) e o tratamento de um câncer no aparelho digestivo, diagnosticado em 2019, que também afetou seu fígado e gânglios linfáticos.

Apesar da magreza aparente e da queda de cabelo por causa da quimioterapia, Covas continuou trabalhando e instalou, no auge da pandemia que já matou mais de 170 mil pessoas no Brasil, uma cama e uma mesa de cabeceira no gabinete da Prefeitura para cuidar da cidade e de sua saúde sem interrupções.

Com exames regulares e sessões de imunoterapia, os médicos afirmam que sua doença está sob controle.

- Eduardo Paes, o retorno de um velho conhecido -"Sou o homem mais feliz do mundo porque sou o prefeito do Rio", dizia Eduardo Paes, que passou oito anos à frente da Cidade Maravilhosa (2009-2016) em seu período de maior esplendor dos últimos tempos.

Entusiasta do carnaval e com um estilo descontraído que combina com a essência carioca, Paes volta à disputa este ano fortalecido pelos altos índices de rejeição ao prefeito evangélico Marcelo Crivella, a quem supera por 30 pontos nas intenções de voto (65% contra 35%).

"Crivella não tem compreensão da cidade", disse Paes em entrevista recente, promovendo-se como o bom administrador que vai "resgatar" o Rio de Janeiro do abandono da atual gestão.

Filho de família carioca de classe média, formou-se em Direito e ocupou diversos cargos públicos desde os 23 anos: foi subprefeito da Zona Oeste do Rio, vereador mais votado da cidade, secretário municipal do Meio Ambiente e deputado federal.

Depois de passar por vários partidos (PV, PFL, PTB, PSDB), em 2008 chegou à Prefeitura do Rio pelo MDB, grupo heterogêneo de centro e centro direita, com o qual governou por dois mandatos.

Seus mandatos foram marcados pelo otimismo e pelas reformas para fazer do Rio a sede dos Jogos Olímpicos de 2016, evento que permitiu a modernização do sistema de transporte e de algumas infraestruturas, mas que deixou vários "elefantes brancos" e promessas não cumpridas, como a despoluição da Lagoa Rodrigo de Freitas.

Após o megaevento esportivo e com a crise econômica instalada em todo Brasil, a cidade entrou em declínio e passou por uma sucessão de escândalos de corrupção (que não afetaram Paes diretamente), além do colapso da segurança pública e da deterioração dos serviços de saúde, agravada este ano pela pandemia do coronavírus.

Aos 51 anos e filiado ao DEM (direita), Paes promete colocar a casa em ordem e manter relações pacíficas com o governo do Estado do Rio (atualmente interino) e com o governo federal de Jair Bolsonaro.

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