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Em meio a protestos, México assume dívida por violência que mata 3.800 mulheres por ano

25/11/2020 22h47

México, 26 Nov 2020 (AFP) - Milhares de mulheres expressaram sua indignação com a violência de gênero, que mata 3.800 delas anualmente no México, segundo dados oficiais, em uma marcha que registrou tensões entre a polícia e os manifestantes que tentaram vandalizar alguns edifícios públicos.

A marcha, que comemora o Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra as Mulheres, ocorre quando o governo reconhece que tem uma "dívida histórica" com as mulheres e clama por uma mudança cultural que elimine o machismo e o patriarcado.

"Temos uma dívida histórica com as mulheres, especialmente com as vítimas da violência, e não podemos permitir a impunidade", admitiu a secretária do Interior, Olga Sánchez, durante a conferência matinal do presidente do México, Andrés Manuel López Obrador.

Horas depois, mulheres de todas as idades e origens se reuniram no Monumento central à Revolução para marchar até o Zócalo, a praça principal da capital mexicana, onde ficam o palácio presidencial e a catedral.

Estiveram presentes coletivos de mulheres indígenas, mulheres trans, parentes de assassinadas e desaparecidas e os 'black blocks', encapuzados e totalmente vestidos nessa cor e que muitas vezes vandalizam monumentos urbanos.

"As mulheres mexicanas estão em resistência em todos os espaços (...). Não vamos esquecer que embora a violência nos une, ela se torna algo muito mais forte do que a dignidade feminista", disse Luky Coutiño, uma estudante, à AFP 27 anos de idade.

- "Buscamos estar vivas" -López Obrador destacou que as "condições de pobreza e desigualdade econômica" levaram a "esses fenômenos de agressão e violência contra as mulheres" no México.

"Embora o estado não faça o seu trabalho, apoiando-nos umas nas outras como mulheres, procuramos uma forma de ir em frente e estar bem, estar viva", disse Ana Reséndiz, outra manifestante de 22 anos que estuda comunicação.

Os protestos se multiplicaram no último ano na capital e em outras cidades do país.

Em 9 de novembro, policiais do resort turístico de Cancún (leste) atiraram para o ar enquanto os manifestantes, a maioria mulheres, protestavam em frente à prefeitura após o brutal assassinato de uma jovem.

Este incidente - sem precedentes no México, onde nos protestos a polícia usa apenas escudos e eventualmente spray de pimenta - desencadeou uma onda de críticas dentro e fora do país.

"É terrível pensar que se tem medo até de vir ao protesto. Só de lembrar do caso de Cancún já te deixa com aquela incerteza de estar aqui", acrescentou Reséndiz à AFP.

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