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Suposta 'coautora' da morte de homem negro no Carrefour é presa

24/11/2020 21h26

Brasília, 25 Nov 2020 (AFP) - A polícia prendeu nesta terça-feira a supervisora de um supermercado da rede Carrefour em Porto Alegre, como suposta "coautora" da morte de um homem negro agredido por dois seguranças no local na última quinta-feira.

"Ela teria o poder de comando sobre o seguranças. Por ter posição determinante, a lei contempla como coautora do homicídio.Foi solicitada a prisão temporária", anunciou em entrevista coletiva a diretora de homicídios da Polícia Civil, Vanessa Pitrez, citada pelo portal UOL.

A supervisora Adriana Alves Dutra aparece com os dois seguranças quando eles dominam João Batista Rodrigues Freitas no estacionamento do supermercado, onde o agridem até a morte, segundo um vídeo divulgado pela imprensa. Ambos os agressores estão presos.

A funcionária, que foi vista filmando a cena, teria mentido em seu primeiro depoimento aos investigadores, ao dizer que não ouviu quando a vítima pediu ajuda e que um dos seguranças era um policial e cliente, ocultando que ele trabalhava no local.

"Me ajuda!", pede João no vídeo, enquanto é agredido. A supervisora estava a poucos passos da cena. "Tá doendo, tô morrendo", suplica a vítima, 40 anos, que morreu na véspera do feriado do Dia da Consciência Negra.

Segundo trechos de seu depoimento divulgados pela Rede Globo, Adriana disse que pediu várias vezes que os seguranças soltassem João. Mas no vídeo, ela é vista avisando à vítima que ela deveria se acalmar para ser liberada, ou dizendo que João não seria solto até a chegada da polícia.

A delegada Roberta Bertoldo indicou que a supervisora deu "declarações contraditórias. Resta até o final do inquérito comprovarmos se essas contradições foram motivadas por algo que se queria encobrir."

Após registrar queda no preço de sua ação ontem, o Carrefour anunciou a criação de um fundo de 25 milhões de reais para promover ações contra o racismo no Brasil. No mesmo dia, 12 fornecedores do Carrefour, entre eles gigantes como Coca Cola, Danone, Pepsico, Heineken, JBS, General Mills, Kellogg's, L'Oréal e Nestlé, anunciaram uma coalizão que se propõe a tomar iniciativas "para combater o racismo estrutural" no país, que foi o último das Américas a abolir a escravidão, em 1888.

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