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Sem reconhecer derrota, Trump autoriza início de transição para administração Biden

24/11/2020 06h39

Mais de duas semanas após o anúncio da vitória de Joe Biden na eleição presidencial americana, Donald Trump autorizou nessa segunda-feira (23) o início do processo de transição para a administração do democrata, mas não reconheceu ainda sua derrota. A equipe do presidente eleito saudou o anúncio que permite "uma transição pacífica de poder". Joe Biden começou a divulgar nessa segunda-feira os escolhidos para alguns dos principais cargos de seu governo.

Mais de duas semanas após o anúncio da vitória de Joe Biden na eleição presidencial americana, Donald Trump autorizou nessa segunda-feira (23) o início do processo de transição para a administração do democrata, mas não reconheceu ainda sua derrota. A equipe do presidente eleito saudou o anúncio que permite "uma transição pacífica de poder". Joe Biden começou a divulgar nessa segunda-feira os escolhidos para alguns dos principais cargos de seu governo.

Ligia Hougland correspondente da RFI em Washington

Na noite de segunda-feira, Trump tuitou que estava autorizando Emily Murphy, a chefe do General Services Admnistration (GSA), órgão encarregado pelo processo de transição presidencial, a oferecer o suporte necessário à equipe de Biden. O presidente disse que fazia isso porque Murphy estava sendo vítima de ameaças de democratas à segurança dela e de sua família.

Apesar da autorização, Trump afirmou que continuaria a contestar a eleição na justiça e acreditava que sairia vitorioso. Mas a decisão é um forte sinal de que o presidente está aceitando a derrota, especialmente porque seus advogados até agora não tiveram nenhum sucesso ao recorrer à justiça.

É improvável que Trump acabe por admitir claramente que perdeu a eleição. A decisão de liberar o GSA para dar início à transição pode ser o sinal mais próximo que o republicano dê de que aceita a vitória de seu rival.

Pessoas próximas a Trump dizem que ele já fala em continuar atuante na política americana e deve, em breve, começar a fazer campanha para a eleição presidencial de 2024. Ele vai se comunicar com seus eleitores pelo Twitter e também pensa em se aventurar no ramo de notícias.

Primeiros nomes indicados por Biden

 

 

A segurança nacional e política externa foram os dois setores escolhidos por Biden para indicar os primeiros cargos importantes do governo.

Como secretário de Estado, o nomeado é Antony Blinken. Blinken foi secretário adjunto de Estado e consultor adjunto de segurança nacional de Obama. Além disso, foi consultor de Biden quando o presidente-eleito era senador e foi quem o aconselhou a votar pela guerra no Iraque.

Jake Sullivan, que foi chefe de gabinete de Hillary Clinton quando ela era secretária de Estado, foi escolhido para ocupar o cargo de consultor de Segurança Nacional.

Uma novidade é o recém criado posto, dentro do âmbito de segurança nacional, para mais um veterano democrata, o ex-senador John Kerry. Kerry foi escolhido para atuar como Enviado Especial para Assuntos Climáticos.

Como embaixadora para a ONU, a escolhida é Linda Thomas-Greenfield, que também fez parte do governo Obama como secretária de estado assistente para assuntos africanos e que, depois de uma longa carreira no departamento de Estado, aos 68 anos, já estava aposentada.

Também já é esperado que Janet Yellen seja em breve nomeada para secretária do Tesouro. Não há dúvida de que os escolhidos por Biden, deixam a elite política de Washington respirar aliviada, na esperança de um retorno à normalidade. São atores bem conhecidos na capital americana, além de todos terem integrado o governo de Barack Obama.

Primeiro latino no alto escalão

A ala mais progressista do partido democrata, não ficou muito satisfeita ao ver que o status quo parece continuar inabalado. Mas há uma certa diversidade representada por Alejandro Mayorkas, cubano de nascimento, que foi escolhido para encabeçar o departamento de Segurança Interna e será o primeiro latino nesse posto. Além disso, Avril Haines pode ser a primeira mulher a ocupar o cargo de Diretora de Inteligência Nacional. Os nomeados de Biden ainda precisam ser aprovados pelo Senado.

A nomeação de membros do establishment de Washington sinaliza a intenção de uma volta à política pré-Trump, com uma visão globalista e mais focada em diplomacia. Mas isso pode não ser agora possível. Muito mudou desde que Trump assumiu a presidência, em janeiro de 2017. Uma retomada à política do governo Obama pode agora não ser possível nem atraente.

Uma nova realidade é que hoje a China é de fato vista como uma ameaça à liderança dos Estados Unidos, tanto por democratas quanto por republicanos no Congresso. Além disso, o cenário geopolítico passou por uma transformação no Oriente Médio. A equipe de Obama, que tanto se orgulhou do acordo nuclear com o Irã - que foi depois rejeitado por Trump - pode agora concluir que retomar esse tratado pode ser hoje inviável.

Volta ao Acordo do Clima de Paris

Kerry deve ter como prioridade que os EUA voltem a fazer parte do Acordo de Paris. No entanto, ele poderia encontrar menos apoio interno para isso.

Um certo saudosismo estaria guiando inicialmente o governo Biden, mas ele terá de ser calibrado à nova realidade, tanto no que diz respeito ao ânimo dos americanos quanto ao cenário global que passou por uma grande transformação nos últimos anos. Outro indício de como as coisas mudaram, é que Biden divulgou seus nomeados no estilo Trump, pelo Twitter.

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