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Guerra na Etiópia entra em fase decisiva com ultimato ao Tigré

24/11/2020 09h45

Gondar, Etiópia, 24 Nov 2020 (AFP) - A guerra na Etiópia caminha para uma fase decisiva no segundo dia do ultimato dado pelo primeiro-ministro etíope aos líderes da região dissidente do Tigré para que se rendam, enquanto aumentam os pedidos de proteção à população civil nesta terça-feira (24).

A "operação militar" lançada em 4 de novembro pelo poder federal etíope contra as autoridades do Tigré, a Frente de Liberação do Povo do Tigré (TPLF), entrou em uma fase decisiva, segundo Adis Abeba.

O exército federal etíope, depois de avançar em vários eixos, diz estar pronto para lançar a batalha de Mekele, capital da região, para expulsar dela os líderes do TPLF e substituí-los por um novo governo.

No domingo à noite, o primeiro-ministro Abiy Ahmed deu aos líderes do Tigré um ultimato de 72 horas para que se rendam. O presidente do Tigré e chefe da TPLF, Debretsion Gebremichael respondeu: "Somos um povo de princípios e estamos dispostos a morrer".

A comunidade internacional e os órgãos de direitos humanos se preocupam com a perspectiva de um ataque contra Mekele, que tem 500.000 habitantes, além de um número indeterminado de deslocados que se refugiaram lá desde o início do conflito.

"Enquanto as tropas federais etíopes se preparam para atacar Mekele, a Anistia Internacional lembra a todas as partes que atacar deliberadamente civis (...) é proibido pelo direito humanitário internacional e constitui um crime de guerra" afirmou em um comunicado Deprose Muchena, secretária para a África do Leste e Austral da ONG, que pede também que os civis "não sejam usados como escudos humanos".

O Conselho de Segurança da ONU realizará nesta terça-feira sua primeira reunião sobre a guerra no Tigré, especialmente a pedido da África do Sul, que preside atualmente a União Africana (UA).

- 40.000 refugiados -A UA, cuja sede se encontra na capital etíope, designou vários enviados especiais, essencialmente ex-presidentes africanos, para realizar uma mediação.

No entanto, na segunda-feira o porta-voz da célula de crise governamental para o Tigré, Redwan Hussein, reiterou a rejeição do governo federal em iniciar negociações. O governo apenas "falará com esses enviados (...) por respeito aos líderes africanos", disse.

Por sua vez, "Estados Unidos pede uma mediação na Etiópia e apoia os esforços do (presidente sul-africano) Cyril Ramaphosa e da União Africana para acabar com este trágico conflito", disse uma mensagem divulgada no Twitter do Conselho de Segurança Nacional, órgão que depende diretamente do presidente.

O conflito obrigou 40.000 habitantes do Tigré a buscar refúgio no Sudão, causado inúmeros deslocamentos internos na região, embora sua magnitude seja desconhecida.

Nenhuma afirmação das duas partes pode ser verificada por fontes independentes, já que o Tigré está praticamente isolado do mundo.

Também não há um balanço preciso dos combates, que causaram pelo menos centenas de mortes.

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