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Americanos desafiam alertas sobre a covid-19 para comemorar Dia de Ação de Graças

23/11/2020 17h52

Nova York, 23 Nov 2020 (AFP) - Aeroportos cheios como nunca desde o início da pandemia, filas intermináveis para fazer um exame: apesar do apelo das autoridades para ficarem em casa, muitos americanos se preparam para comemorar o Dia de Ação de Graças em família na quinta-feira, apesar do risco de agravamento da pandemia de covid-19, que avança no país.

Sem chegar a proibir os deslocamentos, os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) pediram pela primeira vez aos americanos para não viajarem nesta grande festa familiar, mais importante do que o Natal para muitos, na qual as famílias costumam se reunir em volta do tradicional peru recheado, acompanhado de batata doce e molho de mirtilo.

Enquanto os Estados Unidos se mantêm como o país com mais mortes pelo novo coronavírus no mundo - com mais de 256.000 óbitos e registrando há vários dias 150.000 novos casos diários -, a maioria dos governadores de estados como Nova Jersey pedem a seus moradores a "não transformar a sala de jantar em um foco de covid".

Anthony Fauci, o respeitado diretor do Instituto americano de Doenças Infecciosas, quis dar exemplo ao anunciar que não verá suas filhas adultas no Thanksgiving deste ano e que celebrará a data sozinho com a esposa.

Mas depois de nove meses de pandemia, a diretriz é radical demais para muitos que se dispõem a se reunir com familiares, enquanto limitam os convidados.

- "Nossas famílias insistiram" -Durante o fim de semana, imagens de aeroportos lotados em Chicago e Phoenix, no Arizona, invadiram as redes sociais e geraram inquietação.

Foi o fim de semana "de mais trabalho desde o começo da pandemia", com mais de três milhões de passageiros nos aeroportos americanos entre sexta-feira e domingo, informou nesta segunda-feira (23) à AFP a agência TSA, encarregada dos controles de segurança em aeroportos.

No entanto, a cifra é muito inferior aos sete milhões de passageiros registrados há exatamente um ano.

"Nossos apelos a ajudar caíram em ouvidos moucos egoístas", criticou no Twitter Cleavon Gilman, médico especialista em emergências do Arizona, destacando que os serviços de cuidados intensivo do estado já estão "inundados" de doentes com covid-19.

Em Nova York, assim como em muitas outras cidades americanas, as filas para fazer um teste são longuíssimas. As autoridades de saúde destacam, no entanto, que um exame negativo dias antes das festas não elimina os riscos de transmissão.

Amanda e Chris, dois amigos nova-iorquinos de 24 anos, fizeram duas horas de fila no domingo antes de partir para a Flórida para se reunirem com os pais.

"Nossas famílias insistiram para que fôssemos", lamentou Amanda, que trabalha em uma casa de leilões. "Quando disse ao meu pai que ia fazer fila, ele me disse 'Não faça, não precisa fazer'. E eu disse a ele, 'É lógico que vou fazer, verei todos vocês, isso me preocupa' (...) Parecem muito menos atentos do que nós".

Mary Pérez, de 54 anos, uma mãe de família de Long Island, decidiu desafiar a proibição do governador de Nova York de não reunir mais de dez pessoas em casa: serão 11, cinco adultos e seis crianças entre os membros de sua família e a de um dos irmãos do seu marido.

"Não tenho a impressão de estar violando a lei", disse. "No geral somos 35 (...) Não podemos contar os pequenos, têm que acompanhar seus pais".

- "Ainda há tempo para mudar os planos" - Mas até mesmo com comemorações discretas - o que fez encolher as encomendas por perus este ano, segundo criadores -, as autoridades temem uma explosão de casos em dezembro.

Desde o início da pandemia, as festas desatam sistematicamente uma alta dos contágios: este foi o caso após o feriado de 4 de julho, no começo de setembro, depois do Labour Day, ou recentemente logo após o Dia das Bruxas, segundo as autoridades sanitárias.

Para o Dia de Ação de Graças, a primeira festa da temporada de inverno, o risco é maior porque milhares de estudantes voltam a seus lares e permanecem ali muitas vezes até janeiro.

"Não é tarde demais para mudar os planos", implorou nesta segunda Meghan McGinty, especialista em prevenção de catástrofes da Universidade Johns Hopkins.

"O Thanksgiving será realmente um momento-chave (...) Se não limitarmos a comemoração aos nossos lares, os casos e hospitalizações sem dúvida vão aumentar", acrescentou.

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