PUBLICIDADE
Topo

Notícias

Cúpula do G20: Bolsonaro ignora dados sobre queimadas e aponta "demagogia" de críticos

22/11/2020 14h34

Aos líderes das maiores economias do mundo reunidos na cúpula do G20, o presidente Jair Bolsonaro defendeu neste domingo (22) o "elevado nível de preservação" da vegetação nativa brasileira e garantiu que o país vai "continuar protegendo" a Amazônia, o Pantanal e demais biomas do país. Mas aproveitou para ressaltar que vai "repelir ataques injustificados, proferidos por nações menos competitivas e menos sustentáveis" contra o Brasil.

Aos líderes das maiores economias do mundo reunidos na cúpula do G20, o presidente Jair Bolsonaro defendeu neste domingo (22) o "elevado nível de preservação" da vegetação nativa brasileira e garantiu que o país vai "continuar protegendo" a Amazônia, o Pantanal e demais biomas do país. Mas aproveitou para ressaltar que vai "repelir ataques injustificados, proferidos por nações menos competitivas e menos sustentáveis" contra o Brasil.

Vivian Oswald, correspondente da RFI em Londres

"O que apresento aqui são fatos, e não narrativas. São dados concretos e não frases demagógicas que rebaixam o debate público e, no limite, ferem a própria causa que fingem apoiar", disse Bolsonaro, que participou do evento "Protegendo o Planeta".

Ele reafirmou o "firme compromisso de continuar a preservar nosso patrimônio ambiental" e a determinação de "buscar o desenvolvimento sustentável em sua plenitude, de forma a integrar a conservação ambiental à prosperidade econômica e social".

"O hino nacional de meu país diz que o Brasil é gigante pela própria natureza. Estejam certos de que nada mudará isso. Vamos continuar protegendo nossa Amazônia, nosso Pantanal e todos os nossos biomas", acrescentou.

Desde o ano passado, cresceram as cobranças internacionais sobre o país neste quesito. Em toda a Europa, existe um movimento de grandes varejistas na França e no Reino Unido, por pressão da sociedade, para rejeitar produtos que tenham em sua cadeia produtiva qualquer relação com áreas desmatadas. A proteção ambiental levou alguns países da União Europeia (UE) a colocar em dúvida a ratificação do acordo comercial firmado entre a UE e o Mercosul no ano passado. O documento acertado entre os dois lados precisa ser aprovado pelos parlamentos das 27 nações que integram o bloco.

"Estamos construindo um país aberto para o mundo, disposto não apenas a buscar novos acordos comerciais, mas também a assumir novos e maiores compromissos nas áreas do desenvolvimento e da sustentabilidade. Ao mesmo tempo em que buscamos maior abertura econômica, estamos cientes de que os acordos comerciais sofrem cada vez mais influência da agenda ambiental", disse Bolsonaro, ao destacar os acordos comerciais que já foram concluídos pelo Brasil e aqueles que ainda estão em negociação.

Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o índice de queimadas na Amazônia nos primeiros dez meses de 2020 já estava acima dos valores registrados em todo o ano passado. Foram 89.734 focos de incêndio na região amazônica até então, contra 89.176 ao longo de todo o ano de 2019.

De acordo com Bolsonaro, o país sofreu uma verdadeira "revolução agrícola", utilizando apenas 8% do território, o que significa que 66% do total continuariam preservados com vegetação nativa.

"Tenho orgulho de apresentar esses números e reafirmar que trabalharemos sempre para manter esse elevado nível de preservação, bem como para repelir ataques injustificados proferidos por nações menos competitivas e menos sustentáveis", afirmou.

O presidente destacou que o Brasil possui a matriz energética mais limpa entre os países do G20, ao mesmo tempo em que é responsável por menos de 3% das emissões de carbono globais, mesmo sendo uma das dez maiores economias do mundo. Ele destacou que, mesmo durante os meses desafinados da pandemia, o setor agropecuário brasileiro se manteve ativo e honrou todos os seus contratos.

Ontem, no primeiro dia da cúpula, Bolsonaro criticou a vacinação obrigatória contra a Covid-19, outro tema em discussão entre os líderes mundiais.

Trump ataca Acordo de Paris

Se a ação conjunta de combate à mudança do clima esteve no topo da agenda da cúpula do G20, o assunto parece não ter a mesma prioridade para Bolsonaro, nem para Donald Trump. Antes da fala do brasileiro, o presidente americano atacou como pôde o Acordo de Paris, que chamou de "injusto" e "desequilibrado". Disse ainda que o entendimento não foi desenhado para salvar o meio ambiente, mas para "matar a economia americana".

As declarações do republicano foram feitas em um vídeo exibido antes do início da sessão. Trump, que retirou os Estados Unidos do acordo de Paris oficialmente há algumas semanas, afirmou que se recusa a entregar milhões de empregos americanos e mandar bilhões de dólares aos países que mais poluem no mundo.

O presidente eleito dos Estados Unidos, Joe Biden já avisou que o país volta para o acordo do clima a partir do primeiro dia de seu governo.

No extremo oposto de Bolsonaro e Trump, o presidente da China, Xi Jinping, cobrou uma ação conjunta do G20 para combater as mudanças climáticas. Xi lembrou a nova meta ousada adotada por seu governo para tornar a China neutra em emissões de carbono. Falaram também o rei da Arábia Saudita, país que sedia a cúpula e é o maior exportador de petróleo do mundo, o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, e os líderes da Austrália e Japão.

Veja a íntegra do discurso de Jair Bolsonaro no último dia da cúpula do G20:

"Senhoras e Senhores,

Primeiramente, parabenizo a Arábia Saudita por ter escolhido como tema central de sua presidência o lema "Realização das Oportunidades do Século 21 para Todos".

Aproveito também para parabenizar os demais membros do G20 pelas oportunas iniciativas desenvolvidas ao longo do ano.

Além dos muitos instrumentos acordados, houve frutífera troca de experiências e disseminação de melhores práticas sobre diversos temas.

Destacamos o acesso universal à saúde, à educação e à economia digital, bem como a inclusão financeira de todos os cidadãos. 

Senhoras e Senhores,

O Brasil é um país resiliente. Queremos um futuro de desenvolvimento sustentável e repleto de oportunidades para a nossa população.

Meu governo tem promovido a abertura de nossa economia, com vistas a uma maior integração do Brasil aos fluxos de comércio e investimento mundiais.

São demonstrações do nosso empenho os acordos comerciais negociados pelo Mercosul com a União Europeia e a Associação Europeia de Livre Comércio, a EFTA. Também já iniciamos tratativas com a Coreia do Sul e com o Canadá.

Destaco, igualmente, os recentes acordos firmados entre o Brasil e os EUA sobre facilitação do comércio, boas práticas regulatórias e combate à corrupção.

Estamos construindo um país aberto para o mundo, disposto não apenas a buscar novos acordos comerciais, mas também a assumir novos e maiores compromissos nas áreas do desenvolvimento e da sustentabilidade.

Ao mesmo tempo em que buscamos maior abertura econômica, estamos cientes de que os acordos comerciais sofrem cada vez mais influência da agenda ambiental.

Por isso, vamos à realidade dos fatos.

Nos últimos 40 anos, o Brasil passou da condição de importador de alimentos para o patamar de um dos maiores exportadores agrícolas do mundo.

Esse processo de transformação da agricultura brasileira resulta de décadas de inovação e desenvolvimento, incorporando grandes ganhos tecnológicos em eficiência e produtividade.

Hoje, nosso País exporta volume imenso de produtos agrícolas e pecuários sustentáveis e de qualidade. Alimentamos quase um bilhão e meio de pessoas e garantimos a segurança alimentar de diversos países.

Ressalto que essa verdadeira revolução agrícola no Brasil foi realizada utilizando apenas 8% de nossas terras para agricultura e 19% para a pecuária. Por isso, cerca de 66% de nosso território se encontra preservado com vegetação nativa.

Tenho orgulho de apresentar esses números e reafirmar que trabalharemos sempre para manter esse elevado nível de preservação, bem como repelir ataques injustificados proferidos por nações menos competitivas e menos sustentáveis.

Durante os desafiadores meses da pandemia, nossa agropecuária se manteve ativa e crescentemente produtiva. Honramos todos os nossos contratos.

Para promover o desenvolvimento sustentável, reconhecemos a contribuição do conceito de Economia Circular de Baixa Emissão de Carbono, baseada nos "4Rs": Reduzir, Reutilizar, Reciclar, Remover.

Entendemos que esforço deve ser concentrado no primeiro "R", que é a "Redução" das emissões de carbono.  No cenário mundial, somos responsáveis por menos de 3% da emissão de carbono, mesmo sendo uma das 10 maiores economias do mundo.

Por isso, também nesse aspecto, mais uma vez tenho orgulho de dizer que o Brasil possui a matriz energética mais limpa entre os países integrantes do G20.

Mantemos o firme compromisso de continuar a preservar nosso patrimônio ambiental.

Também mantemos a determinação de buscar o desenvolvimento sustentável em sua plenitude, de forma a integrar a conservação ambiental à prosperidade econômica e social.

O que apresento aqui são fatos, e não narrativas. São dados concretos e não frases demagógicas que rebaixam o debate público e, no limite, ferem a própria causa que fingem apoiar.

O hino nacional de meu país diz que o Brasil é gigante pela própria natureza. Estejam certos de que nada mudará isso. Vamos continuar protegendo nossa Amazônia, nosso Pantanal e todos os nossos biomas.

Contem com o meu país e com o meu povo para tornar o mundo realmente mais desenvolvido e mais sustentável.

Muito obrigado a todos".

 

Notícias