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'Tensões entre raças são alheias à nossa história',diz Bolsonaro

21/11/2020 17h24

SÃO PAULO, 21 NOV (ANSA) - Durante seu discurso na cúpula do G20, grupo que reúne as 20 maiores economias mundiais, o presidente Jair Bolsonaro disse que "há tentativas de importar" para o Brasil "tensões" raciais que são "alheias à nossa história".   


A declaração do líder brasileiro é dada no momento em que o país está enfrentando protestos contra o racismo após o soldador João Alberto Silveira Freitas, negro de 40 anos, ser espancado e morto em uma das lojas do supermercado Carrefour em Porto Alegre (RS). Ele foi enterrado neste sábado.   


"Antes de adentrarmos o tema principal desta sessão, quero fazer uma rápida defesa do caráter nacional brasileiro em face das tentativas de importar para o nosso território tensões alheias à nossa história", disse Bolsonaro.   


Segundo o presidente, "o Brasil tem uma cultura diversa, única entre as nações. Somos um povo miscigenado. Brancos, negros e índios edificaram o corpo e o espírito de um povo rico e maravilhoso. Em uma única família brasileira podemos contemplar uma diversidade maior do que países inteiros".   


Para ele, a miscigenação "foi a essência" do brasileiro que "conquistou a simpatia do mundo". No entanto, "há quem queira destruí-la, e colocar em seu lugar o conflito, o ressentimento, o ódio e a divisão entre raças, sempre mascarados de 'luta por igualdade' ou 'justiça social".   


Bolsonaro ressaltou que "tudo" isso tem sido realizado "em busca de poder" e admitiu que os brasileiros não são perfeitos e tem problemas, mas disse que "existem diversos interesses para que se criem tensões entre nós".   


"Um povo unido é um povo soberano. Dividido é vulnerável. E um povo vulnerável pode ser mais facilmente controlado e subjugado.   


Nossa liberdade é inegociável", disse o presidente, enfatizando que, "como homem e como presidente", enxerga a "todos com as mesmas cores: verde e amarelo!".   


"Não existe uma cor de pele melhor do que as outras. O que existem são homens bons e homens maus; e são as nossas escolhas e valores que determinarão qual dos dois nós seremos. Aqueles que instigam o povo à discórdia, fabricando e promovendo conflitos, atentam não somente contra a nação, mas contra nossa própria história", acrescentou.   


O discurso de Bolsonaro não foi transmitido pelo site oficial do G20, mas foi divulgado pelo Palácio do Planalto.   


Protestos - A morte de João Alberto provocou uma série de protestos antirracistas nas redes sociais e nas ruas de algumas cidades do Brasil.   


Na avenida Paulista, em São Paulo, um grupo de artistas pintou durante a noite a frase 'Vidas Pretas Importam' em frente ao Masp. De acordo com um dos artistas, identificado como Pagu, a pintura teve apoio da secretaria municipal de Cultural, da CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) e da polícia.   


G20 - Falando aos demais líderes do G-20, durante reunião virtual em Riad, na Arábia Saudita, Bolsonaro fez um apelo por reformas e avanços nos compromissos da Organização Mundial do Comércio (OMC). Ele disse que os pilares que formam o acordo - negociações, solução de controvérsias, monitoramento e transparência - devem ser discutidos pelos ministros dos países da OMC. No discurso, Bolsonaro falou ainda sobre medidas de combate à pandemia, proteção e estímulo à economia e possíveis vacinas contra a covid-19.   


Segundo o presidente, as iniciativas de cooperação internacional prosperaram desde o último encontro extraordinário do grupo, ocorrido em 26 de março. Bolsonaro citou os esforços e o sucesso na manutenção do fluxo comercial regular entre os países, apesar do contexto da pandemia.   


OMC Ao destacar a necessidade de reformas nos compromissos da OMC, o presidente afirmou que a ambição de reduzir os subsídios para bens agrícolas deve contar com a mesma vontade com que alguns países buscam promover o comércio de bens industriais. Para ele, a reforma da organização deve prever "a criação de condições justas e equilibradas não só de bens, mas também de serviços." Apoio à Economia Global Sobre economia, o presidente citou a injeção de mais de US$ 11 trilhões feita pelos países participantes do G20 em pacotes de estímulos locais, como o auxílio emergencial brasileiro. Em seu discurso, Jair Bolsonaro disse também que as medidas contribuíram para assegurar a devida liquidez aos mercados e conferir alívio fiscal aos países mais vulneráveis. "Evitamos, dessa maneira, que os efeitos da pandemia fossem ainda mais devastadores." Ele destacou a criação do auxílio emergencial, que preservou 12 milhões de postos de trabalho, beneficiou 65 milhões de pessoas e permitiu que 400 mil empresas se mantivessem abertas com a juda do governo federal.   


Vacina no Brasil Em relação à busca de uma vacina eficaz contra o novo coronavírus, o presidente afirmou que "o Brasil se soma aos esforços internacionais, bem como adota o tratamento precoce no combate à doença". Ele lembrou a importância da livre escolha sobre a vacinação,e frisou que a pandemia não pode servir de justificativa para ataques às liberdades individuais.   


"Juntos, estamos superando uma das mais graves crises sanitárias da história recente. Estamos vencendo as incertezas, as dificuldades logísticas e, inclusive, a desinformação", afirmou Bolsonaro.   


Ao fim do discurso, o presidente brasileiro conclamou os parceiros a agilizarem a implementação das mudanças sugeridas.   


Segundo a agenda do evento, Bolsonaro deverá falar novamente amanhã (22) no encerramento da reunião.   


Com o tema "Percebendo oportunidades do século 21 para todos", o rei da Arábia Saudita, Salman bin Abdulaziz Al Saud, abriu a reunião do G20 com um discurso sobre união e ações em bloco contra a pandemia do novo coronavírus. Ele citou os US$ 11 trilhões injetados na economia mundial por pacotes de ajuda que vigoraram em todos os países do grupo, como, por exemplo, o auxílio emergencial no Brasil.   


G20 na pandemia A reunião, que acontece na cidade de Riad - capital da Arábia Saudita -, é o 15º encontro do G20. Participam, além do país anfitrião e do Brasil, os presidentes da Argentina, Austrália, do Canadá, da China, França, Alemanha, Índia, Indonésia, Itália, do apão, México, da Rússia, África do Sul, Coreia do Sul, Turquia, do Reino Unido, dos Estados Unidos, além de representantes da União Europeia.   


Em razão da pandemia de covid-19, as instalações físicas do encontro do G20 são apenas simbólicas, com a maior parte da agenda sendo cumprida online.   


Participam ainda do encontro convidados que não fazem parte do grupo, como Jordânia, Ruanda, Singapura, Espanha, Suíça, Emirados Árabes Unidos e Vietnã. (ANSA - Com informações da Agência Brasil) (ANSA).   


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